Hillary diz que Bin Laden tinha apoio no Paquistão, mas não do governo

Secretária de Estado se reuniu com autoridades paquistanesas para discutir relação entre países

Efe

27 de maio de 2011 | 09h06

ISLAMABAD - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira que as autoridades paquistanesas admitiram que "alguém, em algum lugar" dava apoio a Osama bin Laden, mas reiterou que "não há nenhuma prova" de que o governo do país conhecesse seu paradeiro.

 

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Em entrevista coletiva depois de se reunir com as autoridades paquistanesas, Hillary reconheceu que as relações entre os países estão em um "ponto de inflexão" após a morte do líder da Al-Qaeda por um comando especial dos Estados Unidos em Abbottabad, cidade perto de Islamabad, capital do país, em 2 de maio.

 

"Não há absolutamente nenhuma prova" de que alguém do alto escalão do governo (paquistanês) soubesse que Osama bin Laden "vivia a algumas milhas de onde estamos", declarou Hillary.

 

A secretária de Estado lembrou que o Paquistão deu início a uma investigação para determinar como foi possível que Bin Laden se refugiasse em um local a pouca distância da principal academia militar do Paquistão e garantiu que os EUA compartilharão toda a informação que puderem.

 

Hillary revelou que, durante um encontro com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, ele afirmou que seu governo teria capturado Bin Laden se soubesse de seu paradeiro e lembrou que sua mulher, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, foi vítima do terrorismo.

 

"Al-Qaeda foi uma causa de sofrimento para o Paquistão", disse Hillary.

 

A secretária de Estado manifestou sua confiança na colaboração na luta contra o terrorismo e citou como um exemplo o fato de os serviços secretos norte-americanos terem tido acesso recentemente ao refúgio de Bin Laden com autorização paquistanesa.

 

Ela ressaltou que a cooperação será fundamental também no processo de diálogo com os grupos insurgentes no Afeganistão.

 

Hillary compareceu perante a imprensa junto ao chefe do Estado-Maior dos EUA, Mike Mullen, que durante os últimos anos manteve uma boa relação com a cúpula militar paquistanesa e que admitiu a tensão atual existente entre Islamabad e Washington.

 

Durante sua visita, além de ter se reunido com Zardari, Hillary esteve com o chefe do Exército do Paquistão, Ashfaq Pervez Kiyani, e com o chefe dos serviços secretos paquistaneses, Ahmed Shuja Pasha.

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