Hillary diz que EUA não planejam ação militar contra Irã

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que os Estados Unidos não têm plano de realizar uma ação militar contra o Irã por causa de seu programa nuclear. A declaração foi dada durante uma entrevista à emissora de televisão Al-Arabiya, exibida hoje.

AE, Agencia Estado

17 de fevereiro de 2010 | 17h37

"Obviamente, nós não queremos que o Irã se torne uma potência com armas nucleares, mas não estamos planejando nada além das sanções em andamento", afirmou Hillary. Segundo ela, o foco dos EUA é na mudança de comportamento do Irã.

A secretária de Estado afirmou que a comunidade internacional está unida para enviar uma mensagem ao país de que é hora dele esclarecer suas intenções. "Nós queremos tentar obter sanções mais fortes possíveis no Conselho de Segurança das Nações Unidas...sobretudo para influenciar a tomada de decisão (do Irã)", afirmou Hillary, em Jeddah, na Arábia Saudita, ao fim de sua viagem pelo Golfo Pérsico, ontem.

Hillary foi questionada sobre o fato de o governo israelense não descartar a opção militar contra o Irã. Segundo ela, vários países da região "estão bastante preocupados com as ações do Irã".

Vários países, entre eles EUA e Israel, suspeitam que o governo iraniano tem um programa secreto para construir armas nucleares. Teerã, porém, garante ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

Contradição

Apesar das declarações de Hillary, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, afirmou na Jordânia que Washington não descartou a opção militar contra o Irã. "A prioridade para o presidente (Barack) Obama e sua administração é iniciar um diálogo e o engajamento, enquanto ao mesmo tempo mantém todas as opções sobre a mesa", afirmou Mullen. "Quando eu digo que todas as opções estão sobre a mesa isso certamente inclui potenciais opções militares."

Os EUA não têm conseguido mudar o comportamento do Irã, que já foi alvo de três rodadas de sanções no Conselho de Segurança, mas se recusa a interromper o enriquecimento de urânio. Na opinião de Hillary, o fracasso na tentativa de aproximação ocorre pois o poder no Irã está cada vez mais nas mãos da Guarda Revolucionária, uma força de elite, e menos com as lideranças clericais e políticas. Hillary disse que Washington optou por sancionar em particular a Guarda Revolucionária, para tentar mudar a posição iraniana.

As informações são da Dow Jones.

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