Hillary e Karzai tentam atrair moderados do Taleban

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton estenderam a mão aos combatentes do grupo fundamentalista Taleban que rejeitem a rede terrorista Al-Qaeda e pressionaram a conferência internacional a fortalecer a segurança no país da Ásia Central. Mais de 80% dos países vizinhos e dos doadores do Afeganistão compareceram hoje à conferência de um dia em Haia, Holanda. O objetivo foi discutir como estabilizar o país da Ásia Central após sete anos de guerra depois da derrocada do governo do Taleban.

AE-AP, Agencia Estado

31 de março de 2009 | 16h09

Hillary disse que muitos dos combatentes do Taleban se aliaram a forças contra o governo afegão "mais por desespero" que por convicções, em um país assolado pela pobreza e falta de desenvolvimento. Karzai e Hillary disseram que o Afeganistão receberá como bem-vindos os combatentes do Taleban que abraçarem a paz e aceitarem a Constituição do Afeganistão. "A eles deveria ser oferecida uma forma honrada de reconciliação e de reintegração numa sociedade pacífica, se eles rejeitarem a violência, romperem com a Al-Qaeda e apoiarem a Constituição", disse Hillary Clinton.

Karzai disse que o sucesso contra os insurgentes "depende da estratégia que for trabalhada e compartilhada." Ele elogiou o anúncio feito por Obama na semana passada, de que os Estados Unidos enviarão mais tropas, instrutores militares e conselheiros civis. Os Estados Unidos têm atualmente 38 mil soldados no Afeganistão e enviarão mais 21 mil, primeiro 17 mil combatentes e depois outros 4 mil, entre soldados e técnicos militares.

Os Estados Unidos começam a adotar de maneira cautelosa no Afeganistão uma estratégia que funcionou no Iraque, onde ex-insurgentes foram atraídos e juntaram suas forças às norte-americanas e ao governo apoiado por Washington e a violência foi reduzida. Embora a conferência de hoje tenha sido dedicada ao Afeganistão, Hillary também disse que é preciso dar atenção à região sem lei na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, que tem sido um refúgio seguro para os insurgentes. "Nossa parceria com um Paquistão democrático é crucial. Juntos, nós devemos dar ao Paquistão os instrumentos de que precisa para lutar contra os extremistas", disse Hillary.

Karzai disse que intensificará a campanha contra a endêmica corrupção que contamina a burocracia afegã e contra o tráfico de narcóticos que financia as operações da Al-Qaeda. Ele também prometeu eleições justas e livres quando tentar a reeleição mais tarde neste ano. O presidente afegão destacou, no entanto, que o principal fator para estabilizar o Afeganistão continua a ser o militar. Ele sugeriu que os países ocidentais enviem mais tropas. Hillary pediu US$ 40 milhões e a União Europeia prometeu entregar US$ 79 milhões para monitorar as eleições, no total, metade da soma que as Nações Unidas estimam ser necessária para que o sufrágio seja feito.

A França informou hoje que está disposta a quadruplicar seu auxílio civil ao Afeganistão para desenvolver escolas e outras instituições, mas descartou o envio de mais soldados, apesar da pressão norte-americana. A informação partiu de um funcionário que compareceu à conferência, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Eric Chevalier. "Não existe a perspectiva de aumentar nossa presença militar", disse. A França tem atualmente três mil soldados no Afeganistão, dos quais 2,8 mil servem junto à força comandada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O vice-chanceler do Irã, Medhi Akhunszadeh, esteve entre os delegados. Foi a primeira vez que Estados Unidos e Irã se encontraram em uma mesa de conferências desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu melhores relações à república islâmica. Não houve indicações de encontros entre diplomatas americanos e iranianos, e os dois países ficaram em lados opostos da mesa.

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