AP Photo/David Goldman
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Hillary e Sanders sobem tom e trocam ataques em debate democrata

Evento realizado na madrugada desta sexta, a cinco dias da próxima primária, foi o mais acalorado entre os pré-candidatos do partido; Sanders lidera pesquisas em New Hampshire

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2016 | 10h51

WASHINGTON - Os dois pré-candidatos que disputam a indicação do Partido Democrata para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Bernie Sanders, se enfrentaram na madrugada desta sexta-feira (horário de Brasília), 5, no debate mais acalorado até o momento da campanha, a cinco dias das eleições primárias em New Hampshire.

Esse encontro foi o primeiro em que Hillary Clinton e o senador socialista por Vermont Bernie Sanders debateram cara a cara após a desistência do até então terceiro candidato em disputa, Martin O'Malley, na segunda-feira depois do caucus de Iowa.

A tensão que ficou evidente entre as duas campanhas após o empate técnico em Iowa fez com que o debate desta sexta fosse o mais dinâmico até o momento, no qual os dois pré-candidatos trocaram acusações e expuseram às claras suas diferenças ideológicas e programáticas.

"Quero construir sobre a base do progresso que já alcançamos. Acredito na universidade acessível, mas não na universidade gratuita. Os números não nos levam para o quê propõe o senador Sanders, e os especialistas coincidem em afirmar que suas propostas não são factíveis", disse Hillary logo no início do debate.

A ex-secretária de Estado defendeu a reforma da saúde promovida pelo presidente Barack Obama, algo que já "é real" frente à proposta de Sanders de saúde gratuita e universal, que, nas palavras da pré-candidata, seria o mesmo que "recomeçar do zero com algo que não se sabe se funcionará".

"Quem é a esquerda no Partido Democrata? Segundo a visão de Sanders, nem Obama nem o vice-presidente Joe Biden são progressistas com base nas ideias que defendem", criticou a ex-primeira-dama, que foi acusada várias vezes por seu rival de manter posicionamentos políticos que não são progressistas em temas como o comércio e a regulamentação do setor bancário.

Sanders, por sua vez, respondeu à ex-secretária de Estado assegurando que se nega "a crer que os Estados Unidos" não podem ter uma saúde como a de outros países, onde esta é "um direito" e onde se gasta "muito menos por cabeça".

"Tenho muito orgulho de ser o único candidato aqui em cima que não tem um 'SuperPAC' (comitê de ação política), isso é o que se necessita para a revolução política", disse Sanders, ao aludir ao apoio que parte destes grupos e dos grandes doadores deram a Hillary.

Tal declaração fez com que a ex-secretária de Estado criticasse as "insinuações" de Sanders nas quais "dá por feito que todo o mundo que tenha recebido para fazer palestras está comprado", em referência a suas conferências em eventos de grandes bancos de Wall Street, pelas quais recebeu centenas de milhares de dólares.

"Já chega. Se tem algo a dizer, então diga. Não acho que seja possível encontrar na política atual alguém que tenha recebido mais ataques por parte das grandes fortunas do que eu", se queixou a pré-candidata, que assegurou que "as pessoas de Wall Street" estão tentando derrubá-la nesta campanha.

Mesmo assim, e apesar do pedido dos moderadores, a também ex-senadora por Nova York evitou se comprometer a publicar as transcrições de todas as suas palestras contratadas por empresas de Wall Street.

Um dos momentos mais tensos da noite foi quando o senador socialista afirmou que sua rival representa o poder estabelecido e ele os cidadãos comuns. "(Hillary) Clinton tem o apoio de quase todo o 'establishment'. (Hillary) Clinton representa o 'establishment', eu represento aos cidadãos americanos comuns", declarou Sanders.

O senador acusou a ex-secretária de Estado de representar a elite ao reagir às palavras que Hillary tinha pronunciado momentos antes, quando a pré-candidata garantiu que sente "orgulho" de receber apoio de muitos políticos no Estado de Vermont.

Vermont é o Estado que Sanders representa no Senado e no qual desenvolveu toda sua carreira política. "Gente que trabalhou comigo e com Sanders acaba preferindo me apoiar porque sabe que eu posso conseguir as coisas", reiterou a ex-primeira-dama, que recriminou o senador por ser "o único" que caracteriza ela, "uma mulher que está tentando chegar à Casa Branca", como parte do 'establishment'.

Pesquisas preliminares indicam que Sanders chega à primária de New Hampshire com uma vantagem confortável sobre Hillary Clinton, possivelmente de até 20 pontos percentuais. Ainda não se sabe com precisão o impacto que os resultados de Iowa terão nessa nova disputa.

Uma derrota da ex-secretária de Estado em New Hampshire, depois de uma vitória tão apertada em Iowa, ligará todos os alarmes, mas pesquisas em nível nacional ainda a colocam como a favorita entre os democratas.

Para a equipe de campanha de Hillary, obter uma vitória em Iowa era fundamental para deixar para trás a experiência de 2008. Naquele ano, ela também era favorita, mas foi derrotada pelo então senador Barack Obama, que iniciou ali uma corrida vitoriosa para a Casa Branca. / EFE e AFP

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