Hillary estuda punir Coreia do Norte

Na Ásia, secretária discutirá resposta a Pyongyang por afundamento de navio

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2010 | 00h00

Os EUA começaram a coordenar ontem com a China e seus aliados na Ásia a resposta que será dada ao suposto ataque da Coreia do Norte que afundou o navio de guerra sul-coreano Cheonan e provocou a morte de 46 marinheiros em 26 de março. A tensão entre os dois países passou a dominar a agenda da visita de uma semana que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, iniciou ontem à região.

"É importante enviar uma mensagem clara à Coreia do Norte de que provocações têm consequências. Nós não vamos permitir que esse ataque à Coreia do Sul fique sem resposta pela comunidade internacional", afirmou Hillary, depois de se reunir em Tóquio com o premiê do Japão, Yukio Hatoyama.

Hillary afirmou que há provas "contundentes e condenatórias" da responsabilidade de Pyongyang no caso. "O torpedo que afundou o navio Cheonan e tirou a vida de 46 sul-coreanos foi disparado de um submarino norte-coreano", declarou.

Hillary viajou ontem mesmo para a China, onde participará na próxima semana do Diálogo Estratégico entre os dois países, no qual o conflito entre as Coreias e o programa nuclear iraniano estarão em pauta. Na quarta-feira, ela visitará Seul.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, classificou o ataque como uma "provocação militar" e um desrespeito à Carta das Nações Unidas e à trégua adotada pelos dois países em 1953, durante a Guerra da Coreia. Na manhã de ontem, ele presidiu reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para discutir o assunto.

Segundo a agência de notícias Associated Press, a Coreia do Sul pressiona os EUA para que voltem a incluir a Coreia do Norte na lista de países patrocinadores de terrorismo, o que permitiria o congelamento de contas bancárias no exterior. O país foi retirado da relação em 2008, no fim do governo de George W. Bush.

O regime norte-coreano contestou as conclusões da investigação sobre o naufrágio do navio. O relatório afirma que o Cheonan foi atingido por um torpedo disparado por um submarino norte-coreano. Pyongyang negou a acusação e reiterou ontem a ameaça de ir à guerra contra a Coreia do Sul, caso seja alvo de sanções em razão do ataque.

"Se o grupo fantoche do Sul vier com "respostas" e "retaliação", nós vamos reagir fortemente com punições implacáveis, incluindo o rompimento total dos laços com a Coreia do Sul, a revogação do acordo Norte-Sul de não agressão e a abolição de todos os projetos de cooperação Norte-Sul", declarou o regime de Kim Jong-il em comunicado oficial. A Coreia do Norte já é alvo de sanções. A última foi aprovada em junho, em razão dos testes nucleares realizados em abril e maio.

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