Hillary exorta Mubarak a moderar repressão

EUA evitam ser identificados com ditador aliado e secretária de Estado diz que crise no Egito é ''oportunidade'' para levar reformas adiante

, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2011 | 00h00

WASHINGTON

Pressionada a escolher entre o apoio ao aliado estratégico no mundo árabe ou a luta pela democracia em um regime ditatorial, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, alertou o Egito a moderar a repressão aos protestos de rua e a permitir manifestações pacíficas.

O governo americano evitou ser colocado ao lado do presidente Hosni Mubarak e contra os opositores que pedem o fim do regime ditatorial. Questionado por repórteres sobre se o presidente Barack Obama ainda apoiava Mubarak, que há 30 anos se mantém no poder, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, foi evasivo: "O Egito é um forte aliado".

Mubarak esteve na Casa Branca quatro meses atrás e atuou como um dos principais articuladores do plano de Obama para aproximar palestinos e israelenses.

Hillary defendeu que os protestos são uma "oportunidade" para o Cairo. "Estamos especialmente esperançosos de que o governo egípcio use essa oportunidade para adotar reformas políticas, econômicas e sociais que respondam aos interesses legítimos da população." As declarações da número 1 da diplomacia de Washington foram feitas durante encontro com Nasser Judeh, o chanceler da Jordânia, outra autocracia árabe. Hillary pediu a líderes egípcios mais espaço para demonstrações de discórdia, além de medidas duras contra a pobreza e o desemprego.

"Realmente acho que é possível realizar reformas - e é isso que estamos solicitando", enfatizou a secretária de Estado. "Acho que todo mundo sabe que isso (a promoção da democracia e do desenvolvimento) deve constar na agenda do governo. Não se trata apenas de uma reivindicação dos manifestantes, é algo que precisa ser feito."

Reformas. Os EUA viram-se em uma situação semelhante quando, há duas semanas, manifestantes obrigaram o ditador da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, também aliado de Washington, a deixar o poder e fugir para a Arábia Saudita. Diante da queda do governo em Túnis, Hillary alertou que líderes árabes enfrentarão mais instabilidades caso não aceitem reformas políticas, medidas contra a pobreza e controle da corrupção.

No entanto, o peso geopolítico do Egito para os EUA é muito maior do que o da Tunísia. Desde o fim da guerra de 1973 contra Israel, o governo do Cairo alinha-se com as diretrizes de Washington em temas sensíveis, como o processo de paz, a luta contra o radicalismo islâmico e a promoção da estabilidade no Norte da África. Teme-se ainda que a queda de Mubarak leve a um governo liderado pela Irmandade Muçulmana, aliada do grupo radical palestino Hamas. / AP

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