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Hillary inspira candidaturas de brasileiras

A iniciação política de Priscila Sousa ocorreu na campanha pela reeleição de Barack Obama, em 2012, quando ela trabalhou pela candidatura do democrata organizando grupos de mobilização de eleitores em Las Vegas. Mas foi a experiência de Hillary Clinton na disputa com Donald Trump que deu o empurrão final em sua decisão de disputar a prefeitura de Framingham.

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 05h00

“Hillary não apenas serviu como exemplo de participação da mulher na política, mas também mostrou que há vida depois da derrota”, disse Sousa, que é filiada ao Partido Democrata, como todos os demais brasileiros que decidiram se candidatar neste ano.

Durante a disputa presidencial, Stephanie Martins criou o grupo Brazilians for Hillary (Brasileiros por Hillary), ao qual se juntou Margareth Shepard. As duas são candidatas a vereadoras e mencionam a experiência da primeira mulher a disputar a presidência dos Estados Unidos por um grande partido como uma de suas fontes de inspiração.

Ao mesmo tempo, a pretensão política das três ganhou urgência com a vitória do atual ocupante da Casa Branca. “Donald Trump fez uma campanha em que atacou as mulheres, os imigrantes e trouxe à tona o racismo”, afirmou Stephanie, candidata a vereadora em Everett, onde cerca de 11% dos 42,5 mil habitantes são brasileiros. “É importante ter representação política para proteger certas comunidades.”

Tesoureira do Partido Democrata em Framingham, Shepard disse que a campanha de Trump funcionou como um catalisador para a mobilização política dos latinos e dos brasileiros na cidade, o que se refletiu no aumento do número dos que estão registrados para votar. 

“Apesar da perda eleitoral, houve um ganho político imenso para as mulheres americanas com a candidatura da Hillary. Ela recebeu o maior número de votos e inspirou outras mulheres a também disputarem eleições”, afirmou Shepard. 

Em sua avaliação, o aparecimento de candidaturas competitivas na comunidade brasileira é um reflexo de seu enraizamento no país. Segundo ela, muitos iam aos Estados Unidos sem intenção de se estabelecer, o que dava ao grupo uma grande mobilidade. Esse cenário mudou com a crise de 2008, quando muitos brasileiros retornaram às suas cidades de origem. “Ficaram as famílias que queriam viver nos Estados Unidos e participar mais ativamente de suas comunidades.”

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