Hillary mandou diplomatas espionarem cúpula da ONU, diz Wikileaks

Ban Ki-moon e representantes dos países com assento no Conselho de Segurança foram monitorados

estadão.com.br,

28 de novembro de 2010 | 16h48

LONDRES - O site Wikileaks vazou neste domingo, 28, novos documentos secretos do governo americano. Os papéis mostram que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mandou diplomatas espionarem a liderança da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

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Entre os alvos estão o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon e representantes de Reino Unido, França, China e Rússia, países com assento permanente do Conselho de Segurança. Os documentos foram publicados pelos jornais The Guardian, New York Times e pela revista alemã Der Spiegel.

 

Segundo os documentos vazados pelo WikiLeaks, Hillary ordenou que especialistas elaborassem relatórios com detalhes sobre os sistemas de comunicação utilizados pelos principais diplomatas da ONU, incluindo senhas e códigos de segurança usados em redes privadas e comerciais para as contatos oficiais da entidade.

 

As ordens de espionagem incluíam "funcionários chaves da ONU, subsecretários, chefes de agências especializadas, o secretário-geral e seus assessores, chefes das operações de paz e operações políticas, comandantes de tropas" e a reunião de informações sobre "o estilo de gestão e tomada de decisões de Ban Ki-moon e sua influência sobre o secretariado".

 

Além disso, foi ordenada a coleta de material biométrico - incluindo DNA e impressões digitais - de diplomatas na República Democrática do Congo, Uganda, Ruanda e Burundi.

 

Ainda segundo o WikiLeaks, Washington queria os números de cartões de crédito, endereços de email, números de fax e telefone de vários funcionários da ONU e "informação biográfica e biométrica de representantes dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU".

 

Os documentos afirmam que as principais agências de inteligência dos EUA estão envolvidas na espionagem sobre a ONU. O Serviço Secreto dos EUA, o FBI e a CIA foram acionados pelo Departamento de Estado para "serviços de coleta de informações".

 

Com as informações, os EUA pretendiam investigar as "relações ou financiamento entre pessoal da ONU e missões e organizações terroristas" e ligações entre a Agência de Ajuda da entidade no Oriente Médio e os grupos militantes palestinos Hamas e Hezbollah. Além disso, Washington queria informações sobre corrupção em algumas das agências da ONU.

 

O vazamento deve provocar reações dos países afetados pelas operações de espionagem, principalmente questionando a legalidade da decisão. A ONU já informou anteriormente que espionar o secretário-geral é ilegal, citando a convenção de 1946, sobre privilégios e imunidades.

 

"As premissas das ONU são invioláveis. A propriedade da ONU, seja onde estiveram, seja a quem pertençam, são imunes a buscas, requisições confiscos, expropriação e a qualquer outra forma de interferência por ação executiva, judicial, legislativa ou administrativa", diz a convenção.

 

O WikiLeaks é um site que se dedica a revelar documentos militares secretos dos EUA e de outros países. Neste ano, o site divulgou cerca de 400 mil documentos secretos sobre a guerra do Iraque. Antes disso, o WikiLeaks já havia divulgado 90 mil relatórios confidenciais sobre abusos cometidos no Afeganistão.

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