Hillary não explicou e-mails, diz republicano

Deputado diz que ela deixou de fornecer informações sobre uso de conta pessoal

WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2015 | 02h03

Parlamentares americanos questionaram Hillary Clinton em 2012 se ela utilizou uma conta de e-mail pessoal para tratar assuntos do governo enquanto era secretária de Estado, mas nunca receberam uma resposta dela, revelam cartas divulgadas por eles ontem.

"A senhora ou outra autoridade da agência alguma vez usou uma conta de e-mail pessoal para conduzir assuntos do governo?", questionou o presidente da Comissão de Supervisão e Reforma do Governo na Câmara, o deputado republicano Darrell Issa, em carta do dia 13 de dezembro de 2012. "Se sim, por favor, identifique a conta usada", Issa escreveu. A carta, divulgada por seu gabinete, foi inicialmente citada pelo jornal The New York Times.

A resposta do Departamento de Estado do dia 27 de março de 2013, logo após Hillary deixar o órgão, não responde à primeira questão, segundo a cópia tornada pública pelo gabinete do deputado. Mas o porta-voz do Departamento, Jeff Rathke, assegurou ontem que o órgão explicou sua conduta "em detalhes" na resposta à Comissão.

A carta cita o Manual de Relações Exteriores, segundo o qual qualquer funcionário usando uma conta de e-mail pessoal "tem de deixar claro que não a utiliza para assuntos oficiais".

No mês passado, o Times noticiou que Hillary não tinha um endereço de e-mail oficial quando era secretária de Estado e usava um pessoal para realizar todo o trabalho para o governo.

A informação levantou a questão de que Hillary, que ocupou o cargo de 2009 a 2013, poderia ter violado as normas e regulamentações da Administração de Arquivos e Registros Nacionais, segundo as quais as agências "devem assegurar que os registros federais enviados ou recebidos por tais meios sejam preservados no sistema apropriado de arquivos da respectiva agência".

Em uma tentativa de aplacar as críticas, ainda em março, a ex-secretária informou que pediu ao Departamento de Estado a divulgação de dezenas de milhares de e-mails relacionados a trabalhos que ela enviou de sua conta pessoal. "Quero que o público veja minha correspondência", escreveu no Twitter.

Hillary pediu ao departamento que os e-mails fossem analisados a fim de determinar se algumas partes teriam de ser editadas por conter informações que poderiam ser prejudiciais à segurança nacional.

O processo deve levar meses, disse na ocasião um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado.

Campanha. A ex-primeira-dama tem sido critica por usar um e-mail pessoal para tratar de assuntos do governo, uma polêmica deflagrada nas semanas anteriores a seu anúncio, feito no domingo, de que disputará a candidatura democrata para as eleições presidenciais de 2016.

Ontem, ela cumpriu seu segundo dia de campanha no Estado de Iowa, centro dos EUA, assegurando que quer se comprometer com os "americanos comuns", sem especificar seu programa de governo. Ela se reuniu com um grupo de donos de pequenos negócios e ativistas no povoado de Marshalltown.

Em seus primeiros dias de campanha, Hillary tem mantido o foco no estratégico Estado de Iowa, o primeiro a votar no processo de primárias de 2016 e onde ela foi derrotada há sete anos pelo então senador Barack Obama. "Estou muito feliz por estar de volta", disse Hillary ontem. / NYT, AFP e REUTERS

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