Hillary não reconhece derrota, mas admite que poderia ser vice

Em conversa com congressistas, senadora dispõe-se a compor chapa com Obama em novembro

Patrícia Campos Mello, St. Paul, EUA, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2008 | 00h00

A senadora Hillary Clinton se recusou a conceder a vitória a seu rival Barack Obama ontem à noite, apesar de o senador ter chegado aos 2.118 delegados necessários para a indicação. "Eu não vou tomar nenhuma decisão esta noite", disse Hillary a seus eleitores, no Baruch College, em Nova York. "Eu quero ouvir o que dizem as mais de 18 milhões de pessoas que votaram em mim - mandem sua opinião para meu website." Acompanhe a repercussão da vitória de Barack Obama na corrida pela indicação democrata Veja análises sobre a próxima fase da disputa pela Casa BrancaHillary afirmou que consultará colaboradores nos próximos dias para decidir o que fazer, "o melhor para o partido". Horas antes, a senadora já indicara, entretanto, um possível rumo a seguir, afirmando que estaria disposta a ser a vice na chapa de Obama. A ex-primeira-dama fez o comentário durante uma teleconferência com congressistas do Estado de Nova York. Hillary respondeu a uma pergunta da deputada Nydia Velazquez, que questionou se a melhor maneira de Obama conquistar o voto feminino, o eleitorado hispânico e os operários brancos não seria a escolha de Hillary como companheira de chapa. "Estou aberta a isso", respondeu a senadora.De acordo com a TV CNN, desde segunda-feira Hillary vem dando sinais de que tentará negociar um lugar como vice. A campanha de Obama confirmou que recebeu sondagens informais de pessoas ligadas à ex-primeira-dama, mas deixou claro que a decisão final é do senador. No discurso de ontem à noite, Obama não deu nenhuma indicação de que vá convidar Hillary para vice, mas sinalizou que ela poderá ter papel de destaque em seu eventual governo. O maior empecilho para uma chapa Obama-Hillary são os ataques que a senadora fez ao colega democrata durante a campanha. Muitos partidários e assessores do senador ainda não digeriram as acusações de Hillary de que Obama é inexperiente e não seria páreo para o republicano John McCain. Obama também enfrenta outra forte oposição ao nome de Hillary dentro de casa. Michelle, sua mulher, não é muito simpática à idéia de ter a ex-primeira-dama por perto.Assim que circulou a notícia de que Hillary poderia ser vice de Obama, o Comitê Nacional Republicano divulgou vídeos no YouTube que mostram a senadora colocando em dúvida as qualidades de Obama para ser comandante-chefe e admitindo que o forte de McCain é a política externa. "Nós usaremos essas declarações de Hillary à exaustão", disse à CNN um dos estrategistas de McCain.Em seu discurso de ontem à noite, Hillary elogiou Obama e seus partidários "por tudo que conquistaram", dizendo que eles participaram de uma extraordinária corrida pela indicação presidencial democrata."O senador Obama inspirou muitos americanos a se preocupar com a política e levou muitos mais a tornar-se envolvidos", disse Hillary. "E nosso partido e nossa democracia estão mais fortes e vibrantes como resultado disso."A senadora disse que está empenhada em unir o Partido Democrata para as eleições presidenciais de novembro, mas lembrou novamente dos 18 milhões de eleitores que a apoiaram durante as primárias. Obama deverá ser oficialmente nomeado candidato do Partido Democrata na convenção de agosto. COM ASSOCIATED PRESS e REUTERS

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