Hillary pede ação dos EUA no Norte da África

Secretária de Estado diz que militantes malineses usam parte do arsenal de Kadafi e compara infiltração da Al-Qaeda no país à do Afeganistão

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h04

Em depoimento no Senado americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou ter sido aberta uma "caixa de Pandora" cheia de armas no Norte da África e defendeu uma ampla ação dos EUA na região. Hillary comparou a situação do Mali à do Afeganistão e afirmou que combatentes da Al-Qaeda originários do Norte da África retornam a seus países após lutar em outras frentes e são responsáveis pelas ações terroristas mais recentes.

"A vasta maioria das armas veio dos arsenais de (Muamar) Kadafi. Algumas armas se espalharam pela região, incluindo a Síria", afirmou ela, questionada sobre ações de grupos vinculados à Al-Qaeda na Líbia, no Mali e na Argélia. "A caixa de Pandora de armas saídas desses países do Oriente Médio e do Norte da África é a fonte de uma das maiores ameaças. Não há dúvida de que os terroristas argelinos tinham armas vindas da Líbia. Não há dúvidas de que os membros da Al-Qaeda no Mali tinham armas vindas da Líbia", completou.

Seu depoimento ontem nos comitês de Relações Exteriores do Senado e da Câmara dos Deputados teve como razão primária o ataque terrorista ao Consulado americano em Benghazi, na Líbia, em 11 de setembro passado. O episódio, 11 anos depois do ataque da Al-Qaeda aos EUA, resultou na morte do embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e de três agentes. "Assim como disse muitas vezes desde 11 de setembro, eu assumo a responsabilidade", afirmou.

Hillary defendeu investimento dos EUA no treinamento das tropas africanas para o combate aos militantes. "Nós temos de avançar em uma terceira frente: enfrentar o mais amplo desafio estratégico no Norte da África porque (o ataque de) Benghazi não se deu no vácuo."

Hillary espera a sabatina no Congresso de seu sucessor, o senador John Kerry, para desligar-se do gabinete do presidente dos EUA, Barack Obama. Ela é mencionada como potencial candidata à sucessão dele, em 2016.

Em uma discussão com o senador republicano Ron Johnson, que alegava ter o governo enganado os americanos ao dizer que o ataque partira de manifestantes, Hillary rebateu: "Que diferença isso faz agora?" Outra discussão sobre a segurança dos postos diplomáticos dos EUA deu-se com o senador Marco Rubio, potencial candidato republicano à Casa Branca em 2016. Hillary o lembrou que medidas de segurança custam dinheiro público e precisam da aprovação do Senado.

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