Hillary pede que Irã cumpra o que disse aiatolá

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, desafiou ontem o Irã a honrar a declaração de seu líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, sobre seu programa nuclear. Khamenei afirmou que o Islã condena o desenvolvimento e o uso de armas de destruição em massa.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2012 | 03h05

Em Istambul, Hillary teve ontem um encontro com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. A reunião foi preparatória para o encontro internacional que discutirá o programa de enriquecimento de urânio do Irã, no dia 13.

"Disseram que o supremo líder iraniano (aiatolá Ali Khamenei) vê as armas de destruição em massa como proibidas pela religião e contrárias ao Islã", afirmou Hillary. "Essa crença não é abstrata, mas uma política de governo, que tem de ser demonstrada em várias formas", completou.

Hillary insistiu no desejo da comunidade internacional de ver "ações associadas à declaração de crença" feita por Khamenei em 2005. Espera-se o consentimento de Teerã para o acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) às usinas nucleares do país e o cumprimento de um acordo, ainda a ser negociado, para o embarque do urânio enriquecido iraniano em troca de combustível nuclear para suprir suas instalações atômicas.

Apesar das palavras de Hillary, Erdogan mostrou-se mais cauteloso quanto à capacidade nuclear iraniana. "Depois desse depoimento (de Khamenei), não posso dizer que o Irã esteja construindo armas nucleares. Esse país não tem o direito de colocar em prática um programa pacífico de energia nuclear?", questionou Erdogan.

Na semana passada, o governo americano anunciou a adoção de mais sanções contra instituições que negociem petróleo com os iranianos. A partir de 28 de junho, as empresas serão proibidas de fazer negócios nos EUA.

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