Hillary pressiona por reformas no Zimbábue

Em visita à África do Sul, secretária pede que Pretória use sua influência sobre Mugabe para ajudar a resolver crise política no país vizinho

NYT, REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, pediu ontem, em visita oficial a Pretoria, que a África do Sul ajude a resolver a crise política no vizinho Zimbábue. Ela também prometeu "ampliar e aprofundar" os laços entre os Estados Unidos e o governo sul-africano "para construir uma arquitetura global de cooperação".Esta foi a segunda nação visitas por Hillary no giro de 11 dias que fará por 7 países africanos.Há meses, o governo americano vem pressionando a África do Sul a assumir um papel mais ativo no Zimbábue. O país é governado pelo autoritário Robert Mugabe, presidente acusado pela comunidade internacional de fraudar as eleições e orquestrar uma política de perseguição e assassinatos contra seus opositores políticos.Mugabe também é apontado como responsável por levar a economia do Zimbábue à hiperinflação e de não enfrentar a onda de fome e a epidemia de cólera sem precedentes que atingem o país.CRÍTICASO governo americano cobra de Mugabe compromisso com uma ampla agenda de reformas políticas, econômicas e sociais, além do respeito a um acordo de divisão do poder com o primeiro-ministro opositor Morgan Tsvangirai."A África do Sul tem 3 milhões de refugiados do Zimbábue e cada um desses refugiados representa o fracasso do governo zimbabuano em cuidar de seu próprio povo, além de um fardo que a África do Sul tem de carregar", disse Hillary.Durante a visita, ela também elogiou o papel de liderança que os sul-africanos exercem no continente africano.Na passagem por Johannesburgo, Hillary também manteve um encontro privado com o ex-presidente africano Nelson Mandela, de 91 anos, que liderou a luta antiapartheid.No encontro privado, que durou 30 minutos, a secretária americana contou que o Prêmio Nobel da Paz, mostrou-lhe um verdadeiro "tesouro" em arquivos guardados na fundação que Mandela mantém em Johannesburgo."Estar lá, ver as fotos dele quando jovem e aprender tanto sobre sua vida, é claro que não somente inspira em mim uma admiração ainda maior por sua obra pública como também aumenta meu afeto por esse homem", disse Hillary. Mandela foi mantido preso pelo regime de segregação racial sul-africano por 27 anos, antes de ser libertado, em 1990. Ele se tornou o primeiro presidente sul-africano eleito democraticamente em 1994.

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