Hillary qualifica decisão cubana de ''bem-vinda, apesar de tardia''

Embora reaja com cautela ao anúncio de libertação, Washington oferece asilo aos presos políticos cubanos

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

Os Estados Unidos adotaram cautela diante do anúncio de que o governo cubano libertará 52 presos políticos. A secretária de Estado, Hillary Clinton, limitou-se a qualificar a decisão de Havana como um "sinal positivo".

"É tardio, mas bem-vindo", afirmou Hillary. Questionada por jornalistas, a secretária não quis responder se a libertação poderia levar os EUA a levantar o embargo comercial imposto contra Cuba desde 1962. Mas o Departamento de Estado disse que os EUA estão dispostos a conceder asilo aos presos políticos soltos que o solicitarem.

A assessoria do presidente americano, Barack Obama, não se manifestou sobre o caso. Desde que tomou posse, em 2009, Obama tem demonstrado interesse em acabar com o embargo e em retomar o diálogo com o governo de Raúl Castro, sob condições. Segundo Julia Sweig, diretora do Conselho sobre Relações Exteriores, a Casa Branca ainda tem de "digerir" a decisão de Havana. Na semana passada, o projeto que suspende as restrições às viagens de cubanos e seus descendentes a Cuba foi aprovado em uma das comissões do Congresso americano. O texto continua em tramitação.

O governo ainda pretende propor um pacote de medidas para aliviar o bloqueio contra a ilha, desde que a questão dos presos políticos seja resolvida.

Na quarta-feira, a Igreja Católica anunciou ter obtido do presidente Raúl Castro um acordo para a libertação de 52 presos políticos (membros de um grupo de 75 dissidentes detidos em 2003).

Na opinião de Julia Sweig, a decisão de Havana não pode ser interpretada como um sinal de abertura política. Para a especialista em Cuba, o regime de Raúl Castro foi movido pelo "pragmatismo" e pela "realpolitik". A morte do preso político Orlando Zapata, em fevereiro, após 85 dias de greve de fome, provocou condenação internacional - com exceção, entre outros, do governo Luiz Inácio Lula da Silva - e impediu a aproximação de Cuba com a União Europeia.

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