Hillary rejeita diálogo com Hamas

Futura secretária de Estado diz que, primeiro, grupo deve reconhecer Israel

AP e Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

A senadora Hillary Clinton, futura secretária de Estado dos EUA, foi sabatinada ontem pela Comissão de Relações Exteriores do Senado antes de ter seu nome confirmado para o cargo mais alto da diplomacia americana. As respostas de Hillary serviram para indicar como será a política externa do governo de Barack Obama. Durante a sessão, ela disse que a presidência de Obama, que toma posse na terça-feira, não pode abandonar a ideia de paz entre palestinos e israelenses. Ela indicou que a estratégia dos EUA deve responder às necessidades de segurança de Israel e às "legítimas aspirações econômicas e políticas dos palestinos". Mas a senadora descartou a possibilidade de qualquer diálogo com o Hamas enquanto o grupo islâmico não tiver reconhecido Israel como Estado e desistido da violência. "Essa é uma questão básica para mim."Hillary afirmou que o governo de Obama não descarta nenhuma opção ao lidar com o Irã, mas há a intenção de adotar "uma abordagem nova" em relação ao programa nuclear iraniano. "O que tentamos até agora não funcionou", disse. Questionada se a mudança previa a abertura de uma representação diplomática em Teerã, ela disse que sim. "Temos de nos voltar para eles com mais diligência e atenção."A melhora nas relações com a China foi outro tema tratado por ela. Hillary disse que a aproximação com Pequim não deve ser um esforço "em sentido único" e depende da atitude dos chineses. Ela expressou também o interesse do governo em cooperar com a Rússia e renegociar o quanto antes um novo tratado de redução de armas de longo alcance, uma vez que o acordo atual, o Start I, de 1991, expira no fim do ano.Hillary prometeu trabalhar para impedir a proliferação nuclear conduzida pela Coreia do Norte. "Vamos promover um esforço intenso para determinar a melhor forma de alcançar nossos objetivos com eles." Para alcançar seus objetivos, segundo ela, os EUA têm de renovar suas alianças com tradicionais parceiros, como União Europeia, Índia e Japão.Na sabatina, o senador republicano Richard Lugar questionou as atividades da fundação filantrópica de Bill Clinton, marido de Hillary. "O problema é que governos e entidades estrangeiras podem ver a fundação como forma de obter favores da secretária de Estado", disse Lugar. Apesar dos questionamentos, ela não enfrentará dificuldades para ser confirmada no cargo.

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