AP Photo/Jae C. Hong, File
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Hillary sai na frente em disputa com Trump

Pesquisa da CNN coloca democrata 13 pontos porcentuais à frente de republicano

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2016 | 21h01

WASHINGTON - A democrata Hillary Clinton largou na liderança daquela que promete ser a mais inusitada entre as campanhas presidenciais dos Estados Unidos das últimas décadas. Pesquisa da CNN divulgada nesta quarta-feira, 4, coloca a candidata 13 pontos porcentuais à frente de seu adversário republicano, Donald Trump, na maior vantagem registrada pela ex-secretária de Estado sobre o bilionário desde julho.

Hillary é considerada como mais preparada do que Trump para enfrentar quase todos os problemas identificados pelos entrevistados no levantamento - entre eles, terrorismo, política externa, assistência médica, educação, mudanças climáticas e desigualdade de renda.

A única exceção é a economia, justamente a questão que ocupa o primeiro lugar entre as preocupações dos eleitores. A pesquisa indica que 50% veem Trump como mais preparado para enfrentar o problema, comparados com 45% que têm a mesma opinião sobre Hillary.

O bilionário e apresentador de reality show se consolidou nesta quarta como o único candidato republicano à presidência, depois de o governador de Ohio, John Kasich, anunciar sua saída da disputa. Seguindo o mesmo caminho do senador Ted Cruz, que abandonou a corrida na terça-feira, Kasich não mencionou o nome de Trump durante seu discurso.

Do lado democrata, Hillary continua a enfrentar o adversário Bernie Sanders, que reiterou na quarta sua intenção de permanecer na disputa até a convenção partidária, em julho. O senador por Vermont venceu a primária de Indiana, na terça-feira, mas o resultado não deverá afetar a quase certa nomeação de Hillary como candidata à sucessão de Barack Obama. A ex-secretária de Estado já conquistou 2.205 delegados dos 2.383 necessários para assegurar sua vitória na convenção. Sanders possui 1.401.

Dificuldades. Hillary e Trump registram as imagens mais negativa entre candidatos democratas e republicanos da história recente. Na avaliação do analista político Michael Barone, ambos são amplamente conhecidos do público, o que reduz o espaço para reverter essa percepção.

Em um ciclo eleitoral que desafiou todas as expectativas do lado republicano, Barone disse ser difícil prever se as pesquisas que colocam Hillary na liderança se confirmarão. “Este se revelou não ser um bom ano para dizer que algumas coisas jamais aconteceriam.”

Com suas nomeações praticamente garantidas, Hillary e Trump deram início à troca de artilharia em entrevistas concedidas à CNN. “Ele faz essas grandes declarações e grandes acusações. Mas em algum ponto, quanto você está disputando a presidência, você tem de apresentar substância”, afirmou a democrata.

Trump se vangloriou do fato de ter conquistado a nomeação de seu partido, enquanto Hillary continua a disputa com Sanders. “Ela não consegue. É como um time de futebol que não consegue levar a bola além da linha”, disse o bilionário.

O bilionário repetiu seus ataques ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), aprovado durante a gestão de Bill Clinton, marido de Hillary. Hillary contra-atacou com a afirmação de que 23 milhões de postos de trabalho foram criados durante os anos 90, período que também registrou aumento da renda dos americanos. 

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