Hillary se diz 'ultrajada' com ataques contra Paquistão

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse em comunicado que se sentiu "ultrajada e profundamente triste" com os ataques contra o Paquistão. "O atentado desta manhã é parte de uma onda de violência perpetrada por extremistas brutais, que tentam minar a democracia no Paquistão e espalhar o medo e a discórdia", afirmou. "O povo paquistanês tem sofrido perdas dolorosas, mas ficou firme face a essa intimidação, e os EUA estão ao lado dele."

AE-AP, Agência Estado

05 de abril de 2010 | 20h54

Militantes islamitas armados com armas e coletes suicidas atacaram hoje o consulado dos Estados Unidos em Peshawar. A ação terminou com pelo menos quatro mortos. Além disso, outro ataque em um evento político, também em uma cidade do noroeste do país, deixou pelo menos 45 mortos.

Os ataques, aparentemente coordenados, foram os mais mortíferos até o momento este ano no Paquistão, que possui armas nucleares. O governo local é um forte aliado dos Estados Unidos na guerra contra a Al-Qaeda e o Taleban no vizinho Afeganistão.

A capacidade dos militantes para chegar tão perto da representação dos EUA e de instalações militares, como a agência de espionagem na província do noroeste do país, causa mais temores sobre a insegurança no Paquistão.

Até 15 militantes, armados com explosivos e conduzindo dois veículos, atacaram o fortemente guardado consulado dos EUA em Peshawar, uma cidade de 2,5 milhões de habitantes, no limite do volátil cinturão tribal paquistanês. Os rebeldes lançaram uma série de explosões.

"O alvo era certamente o consulado americano, mas eles não conseguiram chegar lá", disse um oficial de polícia local, Ghulam Hussain. "Um dos suicidas se explodiu perto do portão, e a polícia guardando o consulado começou a retaliar", relatou Hussain. "Mais explosões ocorreram. Nós recolhemos material que não explodiu em quatro pontos diferentes."

Pelo menos quatro pessoas foram mortas na ação, disse a polícia paquistanesa. Segundo o chefe de polícia de Peshawar, Liaquat Ali Kahn, três dos mortos eram militantes e o quarto era um segurança do consulado.

Ameaça

Um porta-voz da principal facção do Taleban no país reivindicou a ação perto do consulado dos EUA. Por telefone, o porta-voz Azam Tariq, do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), disse que haverá novos ataques em "qualquer lugar onde haja americanos". Segundo ele, o grupo tem "entre 2.800 e 3 mil" suicidas prontos para agir. Tariq afirmou que o atentado foi uma retaliação contra os ataques norte-americanos realizados com aviões não tripulados no país.

Três fortes explosões e rajadas de tiros ecoaram pela área. O ataque ocorreu em um posto de controle localizado a 20 metros do consulado dos EUA. "Nós podemos confirmar que houve um ataque contra as instalações do consulado dos EUA em Peshawar", afirmou uma porta-voz da embaixada norte-americana.

Cerca de 3.200 pessoas morreram em ataques suicidas e com bombas nos últimos três anos no Paquistão. Esses ataques são atribuídos a militantes contrários à aliança do governo local com os EUA na luta contra a Al-Qaeda e o Taleban no vizinho Afeganistão.

Ofensiva

Ainda hoje, um suicida atacou uma reunião política a céu aberto em Lower Dir, distrito que também fica no noroeste do país. As forças locais lançaram uma grande ofensiva no ano passado contra o Taleban nessa zona. O ataque, feito por um homem-bomba suicida, matou pelo menos 45 pessoas, durante um comício do principal partido secular do noroeste do país, o Partido Nacional Awami (ANP).

O partido, integrado em grande parte por pessoas da etnia pashto, fez a reunião para apoiar a proposta do governo paquistanês de mudar o nome da Província da Fronteira Noroeste para Khyber-Pakhtoonkhwa, disse o chefe de policial local, Mumtaz Zarin Khan.

"Um policial descobriu o homem-bomba segundos antes dele detonar os explosivos", disse Khan. "O policial atirou no homem, mas então já era tarde demais". Segundo ele, 45 pessoas foram mortas e 77 ficaram feridas. "Esses atos apenas refletem a barbárie dos militantes. Eles não são humanos", disse um parlamentar do Partido Nacional Awami (ANP), Malik Azmat. Com informações da Dow Jones.

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