Hillary tenta acalmar Líbano sobre negociações com Síria

Secretária diz que qualquer acordo levará em conta os interesses libaneses

BEIRUTE, O Estadao de S.Paulo

27 de abril de 2009 | 00h00

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, afirmou ontem que Washington apoia as "vozes da moderação" do Líbano e nunca chegará a um acordo com a Síria que contrarie os interesses libaneses. Hillary apareceu ontem de surpresa em Beirute faltando poucas semanas para a eleição de 7 de junho - na qual o atual governo pró-EUA corre o risco de ser desalojado do poder pelo Hezbollah, grupo xiita que conta com o respaldo do Irã. TURBULÊNCIAO Hezbollah está ganhando força e muitos temem turbulências caso a organização e seus aliados obtenham votos suficientes para ocupar uma posição de liderança num governo de coalizão. Uma vitória do Hezbollah também abriria o caminho para que a Síria recupere sua influência no Líbano. Para os EUA e Israel, o Hezbollah é uma organização terrorista, apesar de ocupar um espaço no atual governo do Líbano. "O povo do Líbano tem de estar em condições de eleger seus representantes em comícios abertos e justos, sem o espectro da violência ou da intimidação e livre da interferência estrangeira", afirmou Hillary à imprensa, logo após se reunir com o presidente do Líbano, Michel Suleiman. "Mesmo após as eleições, continuaremos apoiando as vozes da moderação." Hillary acrescentou que o apoio de seu governo às Forças Armadas do Líbano "permanece como um pilar da nossa cooperação bilateral".A Síria dominou o Líbano durante quase três décadas - até ser obrigada a retirar suas tropas, há quase quatro anos, após o assassinado do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri. Facções anti-Síria no parlamento libanês temem que a decisão do presidente Barack Obama de dialogar com a Síria possa minar o respaldo dado pelos EUA ao governo de Beirute. Hillary reiterou que entregou uma carta de Obama a Suleiman expressando seu apoio a um Líbano "livre, soberano e independente". Ela disse também que as tentativas do governo americano de dialogar com Irã e Síria não ocorrerão à custa do respaldo dado ao governo do Líbano.A Casa Branca prega eleições livres no Líbano, mas tem agido com cautela. Um dos temores é que uma vitória do Hezbollah possa atrapalhar as negociações de paz entre árabes e israelenses. A secretária de Estado, que na véspera visitou o Iraque, encontrou-se apenas com Suleiman, que é tido como um líder neutro. Antes de partir, visitou o túmulo de Hariri e reiterou o apoio dos EUA para que seus assassinos sejam punidos. AP, REUTERS E AFP

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