Hillary tenta mostrar equilíbrio entre força e emoção

Ser forte oudemonstrar alguma emoção? Ficar só na política ou compartilhara vida pessoal? Essa é a corda bamba em que se equilibra apré-candidata à Presidência dos EUA Hillary Clinton, parecerhumana, mas sem dar sinais de fraqueza. A senadora de Nova York luta para reverter a imagem de queé uma pessoa reservada. Por isso, temperou seus discursos destasemana com referências à infância e à vida pessoal, misturandoos temas com propostas políticas. Analistas dizem que mulheres, ao disputar eleições,enfrentam um desafio que não se coloca aos políticos homens:transparecer suas emoções e manter uma imagem de força. A ex-primeira-dama em geral prefere a força, enfatizando nacampanha seu currículo e sua disposição para liderar o país emuma época de guerra. Apesar disso, um raro momento de olhos marejados, poucoantes da eleição primária de New Hampshire, é visto como ofator que lhe valeu a vitória naquele Estado, contrariando aspesquisas, que apontavam a vitória do senador Barack Obama. Desde então, esse lado mais brando tem sido menos visto,embora o argumento da experiência tenha apresentado algumasfalhas. Hillary foi obrigada a recuar, por exemplo, da declaraçãode que foi alvejada por franco-atiradores durante uma visita àBósnia, em 1996. Um vídeo da viagem a contradisse, mostrando umdesembarque tranquilo da então primeira-dama em Sarajevo. "Então cometi um erro. Acontece. Prova que sou humana, oque para algumas pessoas é uma revelação", disse ela ajornalistas na terça-feira. Revelação? Talvez não. Mas mesmos os simpatizantes delaafirmam que gostariam de ver um lado mais humano da candidata,que tem 60 anos. "Ela parece distante para o público, como quando está natelevisão", disse Stacey Barron-Salvio, de 39 anos, mãe de seisfilhos, que assistia a um comício de Hillary em Greensburg, naPensilvânia. "Eu realmente nunca a ouvi falar tanto das suas históriaspessoais. Acho que se ela mostrasse alguns desses ladospessoais, mesmo que haja algumas falhas, isso a tornaria maishumana e faria com que cativasse mais gente."

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