Hillary ''testa o terreno'' com Irã e Síria

Para secretária, EUA buscam ?novas oportunidades? e ?menos inimigos?

AP, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, afirmou ontem que está "testando o terreno" com os novos sinais de abertura dos EUA ao Irã e à Síria. Na quinta-feira, Hillary havia convidado Teerã para uma cúpula sobre os esforços de reconstrução no Afeganistão - segundo ela, um "interesse comum" entre americanos e iranianos - e anunciado o envio de dois altos funcionários de Washington a Damasco. Confira o balanço do primeiro giro de Hillary Clinton à frente da chancelaria"Nós (do governo Barack Obama) herdamos vários desafios e ameaças, com os quais teremos de lidar. Mas há também novas oportunidades", disse a secretária de Estado. "Estamos virando páginas e fazendo de tudo para ter mais parceiros e menos inimigos."Ontem, o chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, disse que o Irã não decidiu se participará do encontro sobre o Afeganistão. "Não estou afirmando que vamos participar, mas que estamos pensando em comparecer", afirmou a uma emissora de TV sérvia. Segundo o chanceler, a decisão final será oficialmente anunciada ainda neste mês, durante a visita do chanceler italiano, Franco Frattini, a Teerã. Os interesses mútuos de Washington e Teerã justificariam a presença do Irã na reunião, afirmou a secretária de Estado. "Os iranianos, por exemplo, estão seriamente preocupados com a entrada de narcóticos em seu país vindos do Afeganistão. Há várias razões para o Irã estar interessado (na cúpula)", declarou.Hillary havia afirmado que a reunião seria agendada para o dia 31, mas ontem disse que a data será discutida entre os participantes. Questionada sobre se o Irã comparecerá, ela admitiu que ainda não teve uma resposta. "Obviamente isso cabe a eles decidir."Os dois emissários de Obama devem chegar a Damasco amanhã. A Casa Branca deu sinais de que está disposta a discutir o isolamento imposto à Síria e a devolução das Colinas de Golan, ocupadas em 1967 por Israel, em troca do fim da aliança entre Damasco e Teerã e do apoio sírio a grupos como o Hezbollah e o Hamas. O presidente sírio, Bashar Assad, disse, por sua vez, desejar que os EUA enviem um embaixador a Damasco. Após o assassinato do ex-premiê libanês Rafic Hariri em um atentado, em 2005 - crime atribuído à Síria pelos EUA e União Europeia -, Washington retirou seu representante na Síria e reforçou as pressões para isolar o regime. No dia 1º, o tribunal instaurado pelo Conselho de Segurança da ONU começou a julgar o caso de Hariri. A acusação contra Damasco é uma das principais ameaças aos frágeis esforços de reaproximação. No primeiro sinal de distensão do governo Obama com o regime alauita, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o democrata John Kerry, visitou a Síria na semana passada.

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