Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

Hillary vê 'roubo' e 'ataque' em vazamento

Secretária de Estado dos EUA qualifica atitude do WikiLeaks de 'sabotagem' e afirma que revelações põem em risco vida de envolvidos

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

O governo dos Estados Unidos condenou com veemência e lamentou o vazamento de 250 mil telegramas diplomáticos pelo site WikiLeaks ontem. Antes de embarcar para uma viagem por Ásia e Oriente Médio, a secretária de Estado, Hillary Clinton, qualificou a iniciativa de uma "sabotagem nas relações pacíficas" entre os EUA e outros países.

Hillary ponderou sobre o risco imposto às pessoas mencionadas e negociações consideradas prioritárias pelo governo americano. Enfatizou, porém, que as informações trazidas a público confirmam o acerto da política de seu país em relação ao Irã.

"Os EUA condenam fortemente o roubo de documentos e a revelação ilegal de informação confidencial, que põe a vida das pessoas em perigo, ameaça a nossa segurança nacional e mina os esforços para trabalhar com outros países para resolver problemas. Nossa política externa oficial não é formulada por essas mensagens (os telegramas enviados pelas embaixadas americanas), mas aqui em Washington."

Hillary anunciou também a adoção de medidas adicionais de proteção às informações diplomáticas - para garantir que "nunca mais aconteça" um vazamento - e de "passos agressivos" para punir os seus responsáveis.

A falta de garantia sobre a confidencialidade das comunicações diplomáticas dos EUA foi uma das críticas endereçadas ontem a Washington por importantes aliados, como a Grã-Bretanha. O Departamento de Justiça americano abriu investigação criminal sobre o vazamento que, em princípio, partiu do próprio Departamento de Estado.

O vazamento deu-se às vésperas do giro de Hillary por Casaquistão, Usbequistão e Bahrein, onde tratará com os líderes dos países sobre o conflito no Afeganistão, questões relacionadas à estabilidade no Cáucaso e a ação de grupos terroristas islâmicos. No Casaquistão, ela participará de encontro da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, composto por vários dos países citados nos telegramas vazados.

Questionada se a revelação das informações diplomáticas lhe trazia constrangimento em suas próximas atividades, a secretária de Estado assinalou que as relações construídas pelos EUA "superam esse episódio". "Vou continuar as conversas que comecei", afirmou.

Embora tenha tido o cuidado de não confirmar a veracidade dos 250 mil telegramas divulgados pelo WikiLeaks, Hillary afirmou que, no caso do Irã, as informações tornadas públicas comprovam o acerto da política americana. Parte dos telegramas traz a preocupação de países do Oriente Médio com a evolução do programa nuclear iraniano. Entre eles, o relato do pedido do governo da Arábia Saudita aos EUA para que bombardeassem as instalações do Irã.

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