Hillary visita e leva pressão a Mianmar

Secretária de Estado faz primeira viagem de uma autoridade dos EUA ao país desde 1955

NAYPYIDAW, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h06

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou ontem a Mianmar (ex-Birmânia) para a primeira visita de um funcionário de alto escalão dos EUA ao país desde 1955. A viagem faz parte da nova estratégia de Washington para ampliar sua influência no Leste Asiático. Além de ver as reformas anunciadas pelo novo governo civil, Hillary deve pressionar o país a abandonar os vínculos militares com a Coreia do Norte.

A chefe da diplomacia americana chegou ontem à noite a Naypyidaw, a capital do país, onde foi recebida por uma delegação do ministério de Relações Exteriores birmanês.

"Quero ver por mim mesma as intenções do novo governo com as reformas políticas e econômicas", afirmou a secretária. "Nossas conversas devem ser sobre a busca de garantias. Acreditamos que atividades opostas à manutenção da paz e da estabilidade devem ser interrompidas."

De acordo com funcionários do Departamento de Estado, Hillary deve pressionar o governo birmanês pela assinatura de um acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que permita acesso a instalações suspeitas de desenvolver um programa nuclear. Os EUA acreditam que Mianmar buscou ajuda da Coreia do Norte para desenvolver mísseis balísticos e tecnologia atômica.

As reformas políticas também estão na pauta do encontro. A eleição do ex-general Thein Sein, no ano passado, abriu caminho para uma série de avanços econômicos e políticos no país. No mês passado, por exemplo, foi aprovada uma lei que reconhece o direito de manifestação e partidos antes considerados ilegais foram reconhecidos.

Segundo funcionários do governo americano, após tentativas fracassadas de estabelecer diálogo, a comunicação entre os dois países melhorou ao ponto de a visita de Hillary sair do papel. Ela se reunirá hoje com a ativista e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, libertada no ano passado após passar 20 anos presa. Ontem, a oposicionista reafirmou seu desejo de disputar as eleições parlamentares no ano que vem. / AP e REUTERS

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