Infográficos/Estadão
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Hipótese de terrorismo é menos provável, diz governo da França

Buscas pelos corpos das vítimas são retomadas, e primeiras investigações concluem que não houve explosão em voo; gravador de conversas dos pilotos foi danificado, mas dados poderão ser aproveitados

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 07h02

A hipótese de terrorismo levantada após o desaparecimento do voo Germanwings 4U9525 na terça-feira, nos Alpes do sul da França, está sendo descartada. A informação foi revelada na manhã desta quarta-feira, 25, pelo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, e pelo secretário dos Transportes, Alain Vidalies.

De acordo com Vidalies, a possibilidade de uma explosão em pleno voo já pode ser totalmente descartada. "Nós sabemos que o avião atingiu a montanha. A razão da descida é uma questão em aberto", confirmou o secretário na manhã desta quarta. "Às 10h31 (horário local), no momento em que o avião passa de um sistema de controle a outro, o piloto dá seu acordo e diz 'Sim, eu vou seguir essa trajetória'." Neste momento, o Airbus está em voo de cruzeiro, a 11,4 mil metros de altitude. "A seguir o avião começa a descer", relatou a autoridade de transportes. "Não é uma descida muito rápida, é quase normal, durante oito minutos. E então ele atinge a montanha."

Mais detalhes sobre as circunstâncias da queda do voo da Germanwings devem ser conhecidos ainda nesta quarta, quando a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA), órgão responsável pela apuração das causas da tragédia, concederá uma entrevista em suas instalações, em Le Bourget, nos arredores de Paris.

Desde já, sabe-se que a única das duas caixas pretas do avião já encontrada no local do acidente, a Cockpit Voice Recorder (CVR), que grava as conversas dos pilotos na cabine, foi avariada na queda, mas seus dados poderão ainda assim ser extraídos. "É possível reconstituir os elementos de forma a explorá-los nas próximas horas", informou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, em entrevista à rádio RTL. Cazeneuve foi enfático: "A hipótese de terrorismo não é considerada nesta manhã."

Segundo informou Vidalies, a caixa preta já está em Paris, onde peritos trabalham na coleta dos diálogos dos pilotos. Já a análise dos sons ambientais, como o ruído das turbinas, pode até levar semanas.

Buscas. Na região da tragédia, os investigadores retomaram no início da manhã os trabalhos em busca dos corpos das vítimas e de indícios sobre as causas do acidente. Trata-se de uma força tarefa que envolve entre 500 e 600 homens, entre bombeiros, policiais e agentes de segurança civil que trabalham nas buscas e no isolamento do perímetro montanhoso. "É preciso ser metódico para preservar o perímetro e evitar que qualquer pessoa venha perturbar as buscas", argumentou à rede de TV iTélé o porta-voz do governo Stéphane Le Foll.

O voo entre Barcelona, na Espanha, e Dusseldorf, na Alemanha, é a pior tragédia aérea em solo francês desde 1974. Conforme o jornal La Provence, de Marselha, o choque aconteceu quase no mesmo local em que em 1953 um avião Lockheed Constellation, da Air France, caiu quando realizava o trajeto entre Paris e Saigon, deixando 42 mortos.  

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