Thomas Samson / AFP
Thomas Samson / AFP

Hiroshima pede que Pokémon Go seja retirado de parque que homenageia vítimas da bomba atômica

Cartazes foram espalhados pelo Parque da Paz solicitando aos visitantes o uso responsável dos telefones celulares

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2016 | 13h34

TÓQUIO - A cidade japonesa de Hiroshima solicitou ao operador do Pokémon Go que mude os ajustes do jogo para evitar que as criaturas apareçam no Parque da Paz da cidade, que presta homenagem às vítimas da bomba atômica que devastou o local em 1945.

Autoridades locais pediram ao desenvolvedor - a companhia Niantic - que elimine as "pokeparadas" e "ginásios" que existem na marco zero do primeiro ataque nuclear da história, informaram nesta quinta-feira, 28, os veículos de imprensa japoneses.

A cidade litorânea quer que a companhia retire os seres virtuais da área antes de 6 de agosto, dia do aniversário do ataque e data na qual o Japão realiza todos os anos uma cerimônia de homenagem. Organizadores do evento temem que ele seja prejudicado pelo jogo.

Cerca de 30 localizações do parque aparecem destacadas no jogo como "pokeparadas" e outras três como "ginásios", entre elas o "Genbaku Domu" - a cúpula que ficou de pé após a tragédia e preservada como símbolo da devastação atômica -, que está atraindo um elevado número de jogadores de Pokémon Go ao local.

As instalações, que abrigam um memorial em honra às vítimas da tragédia, "estão destinadas a rezar pela paz, algo que a situação está dificultando", argumenta o governo da cidade em um texto enviado à Niantic em 26 de julho e divulgado pela emissora NHK. A aglomeração poderia fazer com que "se perdesse a atmosfera e a tranquilidade próprias do memorial", diz a nota.

Por enquanto, Hiroshima colocou cerca de 10 cartazes por todo o Parque da Paz solicitando um uso responsável dos telefones celulares enquanto espera uma resposta.

Hiroshima se soma a outras vozes críticas que pediram no Japão a retirada dos Pokémons de certos lugares. Entre eles está o governo de Nagasaki - alvo de uma bomba atômica em 9 de agosto de 1945 -, que pediu que os personagens não apareçam no Parque da Paz da cidade; a Suprema Corte do Japão, que não quer que eles apareçam em seus 486 tribunais; e a proprietária da usina nuclear de Fukushima, Tokyo Electric Power (TEPCO).

A companhia elétrica fez a solicitação após detectar a presença de um dos monstros virtuais em uma de suas fábricas, e quer evitar invasões como a de três adolescentes que foram parar recentemente em uma usina nuclear de Ohio (EUA). / EFE

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