Hispânicos já são 2ª minoria nos EUA

Eles vieram em bandos para trabalhar em fábricas de empacotamento de carne em Minnesota e Nebraska, cuidar de plantações no Kentucky e fabricar tapetes na Geórgia. Na última década, a população de hispânicos aumentou não só nas tradicionais portas de entrada de imigrantes nos EUA, como também nas pequenas cidades do sul e comunidades rurais do Meio-Oeste, mostra o censo de 2000. Eles ajudaram a preencher as vagas em empregos de baixo salário abertas durante a década de 90. Esse crescimento também trouxe uma nova dinâmica social e problemas antes circunscritos às grandes cidades, de escolas e postos de saúde superlotados a problemas de comunicação entre quem fala e quem não fala inglês. "A variedade é o tempero da vida", disse Ilana Dubester, um elemento de ligação da comunidade latina de Siler City, North Carolina. Os hispânicos compunham 4% dos 4.808 habitantes da cidadezinha em 1990. Já em 2000, a comunidade constituía 39% dos 6.066 residentes da Siler City e vieram para cá atraídos por empregos em estabelecimentos de processamento de frango e fábricas têxteis. O crescimento está "surpreendendo a todo mundo", disse Dubester, que nasceu no Brasil e chegou primeiro a Chicago mas mora há 11 anos na Carolina do Norte. "Quando se têm indústrias sem mão-de-obra e mão-de-obra do outro lado da fronteira que precisa de trabalho, é uma cadeia natural de eventos". Em âmbito nacional, a população cresceu 13%, passando de 248,7 milhões em 1990 para 281,4 milhões em 2000. O acréscimo de 32,7 milhões de pessoas em uma década representa o maior aumento entre um censo e outro da história americana, disse na segunda-feira o órgão responsável pelo censo. Apesar do crescimento nas áreas não-urbanas, mais de 80% da população ainda vive em regiões metropolitanas. A região metropolitana da Cidade de Nova York lidera com uma população de 21,2 milhões de pessoas. Desencadeada por surtos de crescimento populacional no Oeste e no Sul, o órgão governamental anunciou, também, que a população dos Estados Unidos agora está centrada no condado de Phelps, Missouri, a cerca de 5 quilômetros a leste de Edgar Springs. Isso fica a aproximadamente 19 quilômetros ao sul e 52 quilômetros a oeste do centro de população de 1990, nas proximidades de Steelville, Missouri. A população hispânica cresceu 58% em âmbito nacional, indo de 22,4 milhões em 1990 para 35,3 milhões em 2000. Os hispânicos virtualmente empataram com os negros não-hispânicos como o maior grupo minoritário do país. Nova York, Los Angeles, San Diego e outras cidades permanecem sendo os núcleos urbanos da população latina. Os Estados que lideram são Novo México, Texas, Flórida e Arizona. Por exemplo, a população hispânica do Novo México cresceu 32% na década. Em 2000, os 765 mil hispânicos do Estado perfizeram 42% da população total, a maior porcentagem do país. Em Los Angeles, cerca de 42% dos residentes identificaram a si mesmos como hispânicos, enquanto que em Nova York esta porcentagem foi de 27% dos moradores. Mas a contagem da população dos Estados Unidos, realizada a cada dez anos, também ofereceu provas que apóiam a tendência projetada: crescimento do número de latinos nos Estados do Sul e do Meio-Oeste e em Estados que, até recentemente, eram compostos de negros e brancos não-hispânicos. Descobriu-se que: - A Carolina do Norte é a líder do país em aumento do número de hispânicos, apresentando um crescimento de mais de 394% na década, seguida de Arkansas, Geórgia, Tennessee e Nevada. - Embora o número de hispânicos seja bem menor do que na Califórnia, Estados do Meio-Oeste tais como Minnesota, Nebraska e Iowa tiveram índices de crescimento maior. "Isto não é diferente da colonização na pradaria, há um século", disse Marcie McLaughlin, diretora-executiva do Minnesota Rural Partners, um programa de desenvolvimento econômico com sede em Redwood Falls, Minnesota. "Algumas comunidades têm feito mais do que um esforço consciente para receber bem os hispânicos porque compreenderam que eles agora fazem parte do tecido econômico", observou McLaughlin. Muito do crescimento nesses Estados é resultado de um influxo de imigração maior do que o esperado durante a próspera década de 90, disseram os demógrafos. Mas, também, muitos desses novos residentes vieram de centros urbanos americanos em busca de trabalho e de uma melhor qualidade de vida, disse Linda Barros, diretora de novos programas do National Council of La Raza, a maior organização de defesa dos direitos civis dos latinos no país. Al Lopez é uma prova disso. Ele veio de Porto Rico para o continente há 13 anos, tendo morado primeiro em Oklahoma antes de se estabelecer em Rogers, Arkansas, em 1994.Lopez agora é conselheiro da Rogers High School, um elemento de ligação da comunidade com a crescente população estudantil latina. Quando chegou aqui havia 40 alunos hispânicos, agora eles constituem cerca de 20% dos 2.500 estudantes. "Vi isso acontecer quando comecei a trabalhar aqui. Eles não eram trabalhadores migrantes que chegavam, mas pessoas em busca de um melhor estilo de vida", disse Lopez. "Eles estão aqui para ficar".

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