História não terminará dia 27, diz chefe de inspetores da ONU

O chefe da comissão de controle, verificação e inspeção da ONU (COCOVINU), Hans Blix, reafirmou hoje, em Bruxelas, que o relatório que será divulgado dia 27 de janeiro, resultado dos trabalhos de inspeção começados em novembro passado no Iraque, "não terminará a história". Blix, um diplomata sueco, contradiz, dessa maneira, as declarações das autoridades norte-americanas, do último fim de semana, de que o informe do Conselho de Segurança marcaria a "fase final" e que levaria a uma tomada de decisão sobre o uso militar da força contra Bagdá.Provocado sobre o assunto, Blix disse que não está preocupado se o seu trabalho poderá servir de pretexto para uma guerra contra o Iraque, "nem de que seja em vão". "Os inspetores não estão no bolso de ninguém, nem dos europeus, nem dos norte-americanos, reportamos apenas ao Conselho de Segurança e acredito que nossas operações são bem separadas (das operações militares dos EUA)".Blix disse ainda que entende a ansiedade "coletiva" em ver uma solução para o problema, já que foi anunciado que a inspeção seria a "última chance iraquiana" de provar que não possui armas de destruição em massa, no entanto, acredita que o Conselho de Segurança pedirá um segundo relatório de atualização para fevereiro.O relatório a ser apresentado, no dia 27 de janeiro, ao Conselho de Segurança, segundo Blix, será "uma atualização interna sobre os resultados dos 60 dias de inspeção" a lugares onde poderiam se armazenar ou fabricar armas de destruição em massa no Iraque.Guerra depende de SaddanO chefe dos inspetores de desarmamento da ONU no Iraque esteve, pela manhã, com o chanceler da União Européia, Javier Solana, e reforçou "a falta de cooperação" do regime de Saddam Hussein.Solana contou à imprensa ao final do encontro com Blix que o diplomata da ONU ressaltou que não é suficiente que "lhe abram portas no Iraque", mas que o governo iraquiano tenha uma posição mais "pro-ativa" para convencer o Conselho de Segurança, através de seus inspetores e, sobretudo, a opinião pública mundial de que o "Iraque não tem armas de destruição em massa"."Se a corporação iraquiana colaborar, apresentando evidências e deixando as pessoas falarem livremente, o trabalho dos inspetores poderá ser rápido", acrescentou Blix. O chanceler comunitário disse que a guerra pode ser evitada, ao responder a pergunta de um jornalista, mas ressaltou que "a responsabilidade do conflito bélico está nas mãos de Saddan Hussein". Solana reforçou a Blix o "apoio máximo" da União Européia (UE) aos trabalhos de inspeção no Iraque.

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