Historiadora põe fim a mistério de fotos nazistas

Imagens da cúpula do Partido Nazista foram feitas pelo austríaco Franz Krieger, a serviço da propaganda do Wehrmacht

, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

O mistério sobre o autor de fotografias inéditas de Adolf Hitler e suas vítimas, no início da brutal Operação Barba Ruiva, em Minsk, capital da então República Socialista Soviética da Bielo-Rússia, foi desvendado ontem. As 214 imagens tiradas na Frente Oriental em 1941 são de autoria do fotojornalista austríaco Franz Krieger (1914-1993), que se incorporou às SS, numa unidade que dava proteção aos líderes nazistas.

Publicadas simultaneamente nas edições online do The New York Times e da alemã Spiegel, o álbum surpreendeu os especialistas em 2.ª Guerra pela proximidade do fotógrafo com os oficiais nazistas, entre os quais o próprio Hitler.

A explicação veio 3 horas e 45 minutos depois, num e-mail enviado por Harriet Scharnberg, historiadora de Hamburgo, que desenvolve tese de doutorado sobre imagens usadas pela Alemanha como propaganda contra judeus. "As fotos vieram imediatamente à memória quando vi o álbum online", disse a historiadora, que trabalhou nos arquivos de fotos do campo de concentração de Neuengamme e, com o mesmo tema, no Instituto de Pesquisa Social de Hamburgo.

No verão de 1941, segundo a historiadora, Krieger viajou a Minsk a serviço da Reichs-Autozug Deutschland, uma unidade do Partido Nazista. Fotografou a cidade em ruínas, os prisioneiros russos e a condição de miséria no gueto onde viviam os judeus. De volta a Berlim, Krieger cobriu um encontro oficial do Führer com o Almirante Miklos Horthy, o regente da Hungria. Foi onde fez as fotos de Hitler, algumas delas a poucos passos de distância.

Durante seus estudos, Harriet encontrou o livro The Salzburg Press Photographer Franz Krieger (1914-1993): Photojournalism in the Shadow of Nazi Propaganda and War (Fotojornalismo à Sombra da Propaganda Nazista e da Guerra, em tradução livre), publicado em 2008 por Peter F. Kramml. O autor ajudou a confirmar a identidade do fotógrafo - ele tinha o autorretrato de Krieger, com sua imagem refletida num espelho, como consta no misterioso álbum.

A bela mulher presente em várias das imagens do álbum era a esposa do fotojornalista, Frieda Krieger, morta em 17 de novembro de 1944 junto com a filha do casal, Heidrun, de 2 anos, quando a Força Aérea dos Estados Unidos bombardeou Salzburg.

Arquivo. Segundo Kramml, outros 35 mil negativos de Krieger estão guardados nos arquivos do município de Salzburgo, onde o fotojornalista nasceu. Entre as imagens, está Marlene Dietrich, clicada por Kriegerem Salzburg no fim dos anos 1930.

Após terminar seus estudos na Universidade de Viena, Krieger abriu um negócio próprio em Salzburg, mas queria ser fotojornalista. Quando a Alemanha anexou a Áustria, Krieger começou a trabalhar para o Reichs-Autozug, filiou-se ao Partido Nazista e foi integrado à Schutzstaffel, força de elite encarregada da segurança dos líderes. Ele deixou as SS em 1941 para se tornar membro da Propagandakompanie, unidade de campo da seção de propaganda da Wehrmacht.

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