Historicamente, processo de adesão é lento

Historicamente, o processo de adesão de um país à ONU é lento. O pedido feito pelas duas Coreias, em 1949, demorou 42 anos para ser aprovado. Salman Shaikh, analista do Brookings Institution, lembra que países como Espanha e Japão nem sequer foram aceitos na primeira tentativa de entrada nas Nações Unidas.

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2011 | 03h05

Ser membro da ONU, porém, parece não ter feito muita diferença para a Suíça, que se interessou em pedir sua adesão apenas em 2002 - após um referendo ter aprovado, por pequena margem, o projeto do governo de submeter o pedido ao Conselho de Segurança.

No caso palestino, o maior obstáculo para a aceitação como membro pleno da ONU é o poder de veto dos EUA no Conselho de Segurança. A última vez que o mecanismo foi usado para rejeitar um pedido de adesão foi em 1976, quando Washington vetou a entrada do Vietnã - que foi admitido no ano seguinte.

Ao longo dos 66 anos de história da ONU, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) usaram o poder de veto para impedir a entrada de novos membros 59 vezes. A União Soviética vetou 51 pedidos. Os EUA vetaram seis. A China usou o mecanismo apenas duas vezes, para impedir a adesão da Mongólia, em 1955, e de Bangladesh, em 1972.

Vaticano. Alguns casos, no entanto, são definidos rapidamente. O Sudão do Sul, por exemplo, entrou com um pedido de adesão no dia 11 de julho. Dois dias depois, o Conselho de Segurança já havia aprovado a solicitação e, no terceiro dia, a Assembleia-Geral referendou a entrada do país na ONU.

Para muitos diplomatas, os palestinos deveriam adotar o que foi batizado de "Opção Vaticano", que é buscar apenas uma elevação de seu status na ONU - de sua condição atual, como entidade observadora, para Estado não membro - equivalente ao do Vaticano. Para isso, eles precisariam apenas de uma maioria simples na Assembleia-Geral, onde não há poder de veto. / B.R.

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