STR / AFP
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Histórico de tensões no Líbano levanta dúvidas sobre causa das explosões

País vive intensos protestos por grave situação econômica e tem relação tensa com Israel

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 03h00

BEIRUTE - Duas fortes explosões na região portuária da capital do Líbano, Beirute, na tarde desta terça-feira, 4, deixaram pelo menos 73 mortos e 3,7 mil feridos, segundo o último balanço oficial. Logo após as exposões, surgiram teorias e a desconfiança de que pudesse ter sido um atentado terrorista, dado o histórico de violência do país, ou mesmo um ato político diante da crise econômica que assola os libaneses. 

Segundo informações iniciais, as explosões resultaram de um incidente no porto de Beirute, mas se ficar comprovado que elas foram intencionais, isso acabaria com um período de relativa calma na capital do Líbano, apesar de o país viver sua pior crise econômica, estar próximo da guerra na Síria e ter uma história de conflitos sectários e tensões com o vizinho Israel, que recentemente se intensificaram.

Há menos de uma semana, Israel disse que frustrou um ataque "terrorista" e abriu fogo contra homens que cruzaram a "Linha Azul" entre o Líbano e Israel. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, atribuiu a infiltração ao Hezbollah, o grupo xiita que é parte do governo libanês.

Segundo militares israelenses, houve troca de tiros, mas o Hezbollah negou. O episódio ocorreu após novos ataques na Síria atribuídos a Israel, que deixaram cinco combatentes pró-iranianos mortos, incluindo um membro do Hezbollah. 

Autoridades militares israelenses afirmam que o Hezbollah plantou vários mísseis no sul do Líbano com a intenção de ameaçar o norte de Israel. Mas recentemente, o Hezbollah tem evitado matar israelenses e Israel evitado atacar combatentes do Hezbollah na Síria, onde os dois lutam ao lado do governo sírio. 

Tanto o Hezbollah quanto Israel buscam evitar uma guerra que pode devastar o Líbano e Israel. O último grande confronto entre o Hezbollah e Israel foi em 2006. Em um mês, mais de 1.200 pessoas morreram do lado libanês, principalmente civis, e 160 entre os israelenses, em sua maioria militares. 

Economia e manifestações

O Líbano passa pela pior crise econômica em décadas, marcada por uma depreciação cambial sem precedentes, hiperinflação e demissões em massa que alimentam a agitação social há vários meses.

Nas últimas semanas, manifestantes fizeram barricadas nas ruas da capital pedindo a renúncia do governo e medidas imediatas para frear a desvalorização da libra libanesa que na semana passada teve uma queda recorde de 70% frente ao dólar. 

Os protestos se espalharam por todo o país no fim de semana e levou a violentos choques entre manifestantes e forças policiais em Trípoli, segunda maior cidade do Líbano. O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, pediu calma à população e disse que não renunciaria. 

Julgamento

Em 14 de fevereiro de 2005, um atentado realizado com uma van cheia de explosivos foi perpetrado contra o comboio do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, matando 22 pessoas, entre elas o premiê, e deixando mais de 200 feridos. A deflagração provocou chamas com vários metros de altura e quebrou as janelas de prédios localizados em um raio de meio quilômetro. 

Nesta sexta-feira, o Tribunal Especial do Líbano (TSL), com sede na Holanda, planeja anunciar o veredicto após o julgamento de quatro homens, todos suspeitos de serem membros do Hezbollah, acusado de ter participado do assassinato de Rafic Hariri. / AFP, NYT 

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