Histórico mostra ocultação de doenças

Apenas uma gripe. Com essas palavras, na última semana de 1974, a Casa Rosada – o palácio presidencial argentino – explicava o estado de saúde do então presidente Juan Domingo Perón. A realidade era que o caudilho de 78 anos tinha problemas mais graves do que uma coriza. Com graves complicações cardíacas, ele morreu no dia 1.º de julho.

CENÁRIO: Ariel Palacios - O Estado de S. Paulo,

07 de outubro de 2013 | 22h34

Em 1993, outro peronista, o então presidente Carlos Menem, foi internado às pressas. Nas primeiras horas, o governo disse que não passava de uma gripe. Enquanto seus assessores, às portas do hospital, comentavam o péssimo clima de Buenos Aires e como o presidente estava espirrando, Menem era operado da carótida. Quando a verdade veio à tona, o governo enfrentou tumultos nos mercados, pois o país estava em plena etapa de privatizações.

Em 2001, foi a vez do presidente Fernando de la Rúa, que teve uma obstrução na carótida em meio à recessão e à fuga de divisas que levaria ao colapso da economia no final daquele ano. O ministro da Saúde, Héctor Lombardo, complicou o cenário ao afirmar que De la Rúa tinha "um pouquinho de arteriosclerose".

Em 2004, Néstor Kirchner estava sofrendo de uma intensa dor de dente. Sem consultar seu médico, ingeriu um potente analgésico e pegou um avião. Ele teve uma grave hemorragia no duodeno e os médicos tiveram de fazer uma transfusão equivalente à metade do sangue que tinha no corpo. Em 2010, Kirchner, um paciente rebelde, foi operado duas vezes por obstruções da carótida. Em ambas as ocasiões, o governo afirmou, nas primeiras horas, que havia sido internado para um mero check-up.

Uma semana depois da segunda operação, Kirchner retomou a plena atividade política, apesar das recomendações médicas. Em setembro, foi submetido a uma angioplastia. Menos de 48 horas depois, participava de um comício ao lado da mulher, a presidente Cristina. Um mês e meio depois, morreu.

Em janeiro de 2009, a presidente Cristina passou mal e cancelou todas as suas atividades durante cinco dias. Na época, o governo disse que ela havia sofrido um desmaio por uma "desidratação". As explicações oficiais não convenceram, pois a presidente sempre carrega uma garrafa d’água. Em dezembro de 2011, o governo anunciou, em tom dramático, que a presidente tinha câncer na tireoide. Um mês depois, o governo informou que Cristina não tinha câncer.

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