AP Photo/Fernando Vergara
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‘Hoje, Duque ganha em todos os cenários’

Francisco Miranda é analista político da Universidade Javeriana

Entrevista com

Francisco Miranda

Rodrigo Cavalheiro ENVIADO ESPECIAL A TIBÚ CATATUMBO, COLÔMBIA, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 05h00

Qual a capacidade do candidato conservador Iván Duque de colocar em risco o processo de paz negociado em Havana?

O governo de Juan Manuel Santos blindou o processo de paz ao colocar seus principais pontos na Constituição. Uma modificação no texto teria um alto custo político para Duque. Ele disse que pretende mudar a Justiça Especial para o processo de paz, assunto sobre o qual já se discute alterações. O nível de impunidade no processo de paz é um tema central na eleição. A centro-direita e a maior parte da população consideram que há um alto grau de impunidade.

Qual o futuro da negociação com outras guerrilhas se Duque chegar ao poder?

A implementação do acordo de paz com as Farc foi tão traumática no último ano que a negociação com o Exército de Libertação Nacional (ELN) ficou parada. 

Duque pode ser derrotado pela rejeição que há ao seu padrinho político, Álvaro Uribe?

Foi o que aconteceu em 2014 e se trata de um cenário possível. Naquela eleição, o uribista Óscar Zuluaga ganhou o primeiro turno, mas perdeu para Santos em seguida. Santos fez um chamado à bandeira da paz e ao antiuribismo. O rival de Duque, com certeza, recorrerá à mobilização antiuribista, mas o cenário é diferente. 

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Em quê?

Duque é jovem e se apresenta como “o novo”. Foi senador por só quatro anos. Viveu muito tempo em Washington e fez uma campanha propositiva, tratando bem os rivais. Fala sobre política cultural, pequenas empresas e redução de impostos. Ou seja, temas que vão além do campo clássico do uribismo, grupo político caracterizado pela agressividade, que costuma se retirar em bloco do Congresso quando está contrariado com algum projeto. Se vemos hoje os cenários do segundo turno, Duque ganha em todos eles. 

Qual o peso do perfil do rival de Duque? 

Os candidatos da esquerda estão em situação difícil, pois os modelos progressistas replicados no continente estão em recuo. Uribe até usou Cuba e Venezuela para acusar Santos de ter sido apoiado por um suposto “castrochavismo”. Há quatro anos, Uribe repete esta tese, que passou a fazer sentido para parte da população.

 

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