Holanda concede visto a filho de Milosevic e a 4 médicos russos

A embaixada da Holanda em Moscou concedeu nesta segunda-feira vistos ao filho do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, Marko, e a quatro médicos legistas russos enviados por Moscou para revisar a autópsia realizada em Haia, informou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Holanda. Segundo o porta-voz, a embaixada concedeu um visto de três dias a partir desta segunda-feira a Marko Milosevic e outro de sete dias aos legistas. Marko Milosevic ficará responsável pelo corpo do pai, que foi encontrado morto no sábado passado em sua cela do Tribunal Penal para a Ex-Iugoslávia (TPII) em Haia, onde era julgado por crimes de guerra e genocídio nos conflitos dos Bálcãs na década de 90. Segundo os resultados preliminares de uma autópsia realizada neste domingo em Haia por uma equipe de legistas holandeses na presença de especialistas sérvios, Milosevic morreu de um enfarte de miocárdio, embora ainda falte um relatório completo e os resultados de um exame toxicológico. O ministro de Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, tinha manifestado nesta segunda-feira a desconfiança de Moscou em relação aos resultados oficiais da autópsia e anunciado que a Rússia enviaria um grupo de legistas a Haia . Milosevic, de 64 anos, tinha um longo histórico de hipertensão crônica e de problemas cardíacos que obrigaram o adiamento de seu julgamento perante o TPII em 20 ocasiões desde 2002, e nos últimos meses tinha apresentado piora em seu estado de saúde, tendo pedido que pudesse se tratar em um hospital de Moscou. O advogado de Milosevic, Zdenko Tomanovic, mostrou neste domingo à imprensa uma carta enviada por Milosevic à embaixada russa na Holanda no dia anterior à sua morte. No texto, pedia a ajuda de Lavrov e afirmava que alguém estava tentando envenená-lo na prisão. Segundo Tomanovic, Milosevic recebeu, em 7 de março, os resultados de um exame feito por um laboratório holandês que indicavam a presença em seu sangue de um potente medicamento utilizado para curar a lepra e a tuberculose, e que neutraliza a medicação que ele tomava para controlar a hipertensão. A polêmica cresceu nesta segunda-feira quando um toxicólogo holandês confirmou ter encontrado estas substâncias no sangue de Milosevic e afirmou que este pôde tê-las ingerido voluntariamente para piorar seu estado e poder ser enviado a Moscou, onde residem seu filho, sua viúva e seu irmão mais velho. Tomanovic declarou nesta segunda-feira que a família de Milosevic tinha a intenção de enterrá-lo em Belgrado e que tinha pedido às autoridades sérvias que suspendessem a ordem de prisão emitida contra sua viúva, Mirjana Markovic, que foge da justiça sérvia desde 2003, para que pudesse ela assistir à cerimônia. Marko Milosevic disse que enterrará seu pai em Moscou caso as autoridades sérvias não dêem "garantias de segurança" a ele e a sua mãe para um funeral em Belgrado.

Agencia Estado,

13 Março 2006 | 15h26

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