Holanda e Dinamarca desocupam embaixadas no Afeganistão

Amsterdã e Copenhague mandam funcionários para locais secretos como medida de segurança

REUTERS

23 de abril de 2008 | 11h58

A Dinamarca e a Holanda enviaram para locais secretos e seguros os funcionários de suas embaixadas no Afeganistão temendo pelo bem-estar deles, afirmaram nesta quarta-feira, 23, autoridades das chancelarias desses dois países europeus. A Dinamarca também retirou os funcionários de sua embaixada na Argélia alguns dias atrás pelo mesmo motivo. "Houve uma mudança na questão da segurança e decidimos que a medida era necessária", afirmou Erik Laursen, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores dinamarquês, acrescentando que a decisão baseava-se em informações recentes. Os funcionários da Embaixada da Dinamarca em Cabul foram retirados dali na quarta-feira e continuavam a trabalhar à distância, disse Laursen. O porta-voz não soube dizer por quanto tempo as duas embaixadas continuariam vazias. O corpo de funcionários da Embaixada da Holanda em Cabul foi enviado para um local secreto na segunda-feira, porque haviam aumentado as chances de ocorrer um atentado terrorista, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores holandês. Na sexta-feira, o filho do novo chefe das Forças Armadas da Holanda e um outro soldado holandês que serviam nas forças lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão foram mortos quando o veículo deles viu-se atingido por uma bomba. Insurgentes do Taliban assumiram a responsabilidade pela ação. A Holanda também retirou os funcionários de sua embaixada em Islamabad (capital do Paquistão), enviando-os para um hotel devido a temores sobre a segurança deles após o lançamento de um filme contrário ao Alcorão feito por um político holandês. O polêmico filme, chamado "Fitna" (luta), realizado pelo parlamentar antiimigração Geert Wilders, acusa o Alcorão de incitar a violência. Os países islâmicos condenaram o filme e realizaram protestos em virtude dela. O Serviço de Segurança e Inteligência da Dinamarca havia avisado antes, ainda neste mês, que eram grandes as chances de ataques terroristas contra instalações dinamarquesas no norte da África, no Oriente Médio, no Paquistão e no Afeganistão. Segundo o órgão, a ameaça tinha aumentado desde que jornais dinamarqueses publicaram de novo, no começo deste ano, uma charge ironizando o profeta Maomé. A republicação pretendia ser um protesto contra um suposto plano para assassinar o responsável pelo desenho. A charge, na qual Maomé aparece usando uma bomba como turbante, é uma das 12 que apareceram inicialmente em um jornal dinamarquês, em 2005, provocando distúrbios no mundo islâmico em 2006 após terem sido distribuídas para vários países. A maior parte dos muçulmanos considera uma ofensa qualquer representação gráfica do fundador do Islã.

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