Holandesa é condenada por genocídio

A Justiça condenou ontem Yvonne Basebya, uma ruandesa nacionalizada holandesa, a 6 anos e 8 meses de prisão por incitação ao genocídio de 1994 em Ruanda. "Ela incitou ao assassinato e à violência contra os tutsis", disse o juiz René Elkerbout. A promotoria havia pedido pena de prisão perpétua.

HAIA, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h06

Yvonne Basebya, de 66 anos, foi absolvida das acusações de crime de guerra e de participação no genocídio. "Ela incitou jovens desafortunados a cometer assassinatos de tutsis durante reuniões (com grupos radicais), como mostra a canção que cantava: 'Tuba tsembe tsembe', que significa 'exterminaremos a todos', afirmou o juiz.

"Centenas de milhares de tutsis foram massacrados de um modo horrível. Esse genocídio não ocorreu por causa de nada. Os hutus foram sistematicamente incitados a odiar aos tutsis", acrescentou.

A condenação, garantida pela jurisdição universal - o princípio sob o qual os países têm direito de processar por crimes hediondos independentemente de onde tenham sido cometidos - foi a primeira por genocídio na Holanda desde a 2.ª Guerra.

Desencadeado após o assassinato, em 6 de abril de 1994, do presidente ruandês de etnia hutu Juvenal Habyarimana, o genocídio deixou entre abril e julho do mesmo ano 800 mil mortos. As vítimas foram principalmente tutsis, mas também hutus moderados.

Mulher do ex-ministro do governo ruandês, Agustin Basebya, Yvonne emigrou para a Holanda em 1998, antes de seus crimes serem descobertos. Ela foi julgada como uma cidadã holandesa, mas outros suspeitos de crime de guerra estão sendo julgados pelo Tribunal Internacional Criminal para Ruanda (ICTR, pelas siglas em inglês).

O tribunal especial da ONU deve ser fechado em 2014 após concluir os mais de uma dúzia de casos que esperam apelação. O ICTR disse que julgou mais de 70 casos desde que foi criado sob uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, em novembro de 1994, para julgar os principais envolvidos no genocídio ruandês. / AP e REUTERS

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