Athit Perawongmetha/REUTERS
Athit Perawongmetha/REUTERS

Holandeses e russos apresentam hoje versões para queda de Boeing da Malaysia

Amsterdã e Moscou tentam explicar o que causou a queda do avião da Malaysia Airlines, que matou 298 pessoas na Ucrânia

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 02h03

MOSCOU - Peritos de Holanda e Rússia lançam hoje uma guerra de versões para explicar o desastre envolvendo o voo MH17 da Malaysia Airlines, que matou 298 pessoas ao cair na fronteira entre Ucrânia e Rússia, em 17 de julho de 2014.

Em Amsterdã, o Conselho de Investigação sobre Segurança (OVV, na sigla em holandês), que investigou as causas do acidente, apresenta seu relatório final sobre as causas e deve indicar até mesmo o tipo de míssil que abateu o Boeing 777. Em resposta, em Moscou, o fabricante de mísseis Almaz-Antey fará uma simulação que provaria que a responsabilidade pelo tiro seria dos ucranianos.

A queda do Boeing chocou o mundo há 15 meses. O voo comercial da Malaysia Airlines que se dirigia para a Ásia levando em sua maior parte passageiros em férias foi abatido quando cruzava a região de Donetsk, no leste da Ucrânia. A área está conflagrada por um conflito entre o Exército do país e milicianos separatistas apoiados pela Rússia.

Ao que tudo indica, atingido por um míssil terra-ar, o Boeing se partiu em três grandes pedaços e caiu sobre uma região rural, espalhando fragmentos humanos e pertences pessoais por uma área de dezenas de quilômetros quadrados.

Nos dias que se seguiram, milicianos separatistas, boa parte deles com balaclavas cobrindo os rostos, vestindo roupas militares e portando armamento de guerra, cercaram o local e impediram, em um primeiro momento, o acesso dos inspetores internacionais que colheriam evidências sobre as causas da queda. O acesso foi mais tarde liberado de forma parcial e sobre uma cena de crime adulterada, o que tornou a investigação muito mais difícil.

Agora, as duas versões vêm à público no mesmo dia - e não por acaso. Há três meses, o OVV enviou aos países que participam da apuração sobre a tragédia um relatório parcial sobre as causas do acidente. Entre as evidências coletadas estariam caixas-pretas, fragmentos do avião perfurados pelo explosivo e até fragmentos do míssil encontrados nos corpos das vítimas. O relatório, porém, deve se limitar a indicar o que derrubou o avião, sem apontar quem ou por quê. Essas perguntas serão respondidas por uma investigação judicial em curso em Amsterdã.

Uma cópia do relatório foi enviada ao Kremlin e indicaria que um míssil de fabricação russa teria abatido a aeronave. Coincidência ou não, a Almaz-Antey convidou cerca de 200 veículos de imprensa do mundo - entre os quais o Estado - para acompanhar em Moscou, no mesmo dia da divulgação em Amsterdã, uma simulação que provaria que os mísseis da empresa não têm relação com o desastre.

A Almaz-Antey promete apresentar as "razões reais" da queda, com base em uma simulação feita, detonando um míssil lançado a partir de um sistema antiaéreo BUK terra-ar próximo a um avião, como aconteceu na região de Donetsk. A companhia promete apresentar os resultados da experiência em escala real, alegando que os mísseis do tipo BUK-M1 não são mais produzidos pela Rússia desde 1999, mas ainda integram o arsenal da Ucrânia.

A troca de acusações entre Kiev e Moscou continua. Enquanto o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, diz que o míssil partiu de tropas russas o presidente russo, Vladimir Putin, alega o contrário. Valendo-se do poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, o Kremlin bloqueou uma resolução que pedia a abertura de uma investigação pelo Tribunal Penal Internacional, em Haia, sobre a responsabilidade pelo crime.

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