Hollande apoia reação contra protesto antigay

Presidente diz que, apesar das manifestações violentas da véspera, sancionará lei que permite casamento entre homossexuais na França

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2013 | 02h02

Doze horas depois dos confrontos entre dezenas de opositores ao casamento homossexual e tropas de choque da polícia em Paris, o presidente da França, François Hollande, reiterou publicamente ontem que a lei será sancionada. Hollande disse que não tolerará o desrespeito da ordem pública e defendeu a ação da polícia.

O discurso foi uma advertência aos manifestantes, que ainda pretendem realizar duas marchas na capital francesa, em 5 e 26 de maio, na expectativa de reverter a nova legislação.

O projeto que legalizou o casamento entre pessoas de mesmo sexo na França foi aprovado pela Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento, na terça-feira, encerrando seis meses de debates e controversas públicas. No fim da noite, centenas de jovens insatisfeitos com a decisão, muitos deles encapuzados e mascarados, reuniram-se para protestar no largo dos Invalides - um dos principais pontos turísticos de Paris.

Tarde da noite, algumas dezenas deles passaram a atirar pedras e paus na polícia. Também perseguiram e, em alguns casos, bateram em jornalistas, aos gritos de "colaboracionistas", "vagabundos" e "podres". A polícia respondeu com 12 prisões de jovens e dispersou a multidão com spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.

No fim da manhã, Hollande convocou os jornalistas ao Palácio do Eliseu para um pronunciamento no qual ressaltou a importância da lei, que chamou de igualitária. "Essa reforma amplia os direitos dos homossexuais, sem retirar direitos de ninguém", argumentou. "É uma reforma que vai no sentido da evolução de nossa sociedade. Estou certo de que ficaremos orgulhosos nos próximos dias ou mais tarde, porque é uma etapa da modernização de nosso país na direção de mais liberdade e mais igualdade - os princípios que fundam a nossa república."

Depois das explicações, Hollande passou às advertências. "Quando as paixões acabam em violência, elas devem ser condenadas", disse ele. Segundo o chefe de Estado, a liberdade de manifestação deve ser garantida, assim como a liberdade do Parlamento para legislar. "Eu peço que o que aconteceu no Parlamento seja cumprido como sendo lei", exortou, assegurando que, tão logo o recurso da oposição feito ao Conselho Constitucional seja analisado, o texto será promulgado.

Convertida. A despeito do pronunciamento do presidente, a líder do movimento de oposição à lei, a militante católica Frigide Barjot, anunciou a intenção de transformar sua ONG em um movimento político para as eleições municipais de 2014.

Segundo ela, seu grupo lançará candidatos nas cidades nas quais os prefeitos "não jogaram o jogo" do Partido Socialista. Ela própria cogita da possilidade de candidatar-se à prefeitura de Paris.

A decisão provocou críticas ao movimento entre os partidos de direita - em especial entre membros da União por um Movimento Popular (UMP), do ex-presidente Nicolas Sarkozy -, que até o momento vinham apoiando os protestos contra o casamento gay.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.