Hollande assume e reforça papel de premiê

Socialista promete romper 'hiperpresidencialismo' da era Sarkozy e dar ao novo primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, articulação do governo

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2012 | 03h02

A primeira medida prática de François Hollande como novo presidente da França foi a nomeação de seu primeiro-ministro, anunciada de forma protocolar na tarde de ontem, no Palácio do Eliseu. O nome não surpreendeu: o deputado e prefeito de Nantes, Jean-Marc Ayrault, comandará o governo com poderes reforçados em relação a seu antecessor, o conservador François Fillon.

Hollande indicou em seu discurso de posse que, ao contrário do ex-presidente Nicolas Sarkozy, pretende ter um premiê atuante, que não fique à sombra do chefe de Estado. "Como presidente da república, assumirei plenamente a responsabilidade desta alta missão, fixarei as prioridades, mas não decidirei tudo, por todos e para todo lado", preveniu, prometendo um primeiro-ministro forte, recuperando a tradição até Jacques Chirac, interrompida por Sarkozy.

"De acordo com a Constituição, o governo (do premiê) determinará e conduzirá a política do país, o Parlamento será respeitado e a Justiça disporá de todas as garantias para sua independência", afirmou Hollande.

O "segredo" em torno da nomeação de Ayrault, que sempre foi o favorito ao cargo, foi quebrado no início da manhã, quando um amigo de Hollande revelou a informação a uma rádio de Paris. A confirmação, porém, só viria no meio da tarde.

Mesmo antes de ser nomeado, Ayrault mostrava-se entusiasmado com as novas atribuições. "É um dia formidável. É uma nova era que começa. Estou profundamente emocionado", disse o deputado.

Referindo-se a Hollande, demonstrou sua lealdade ao novo presidente. "Estamos aqui para ajudá-lo a devolver a França aos trilhos. Estamos todos à sua disposição."

Passado. Antes mesmo de sua posse, o deputado já enfrenta críticas da oposição por uma condenação a 6 meses de prisão e multa de € 4,6 mil por sua gestão em Nantes ter beneficiado um partidário em uma licitação pública em 1997.

Ayrault não foi pessoalmente incriminado, mas sua carreira política ficou manchada por causa do escândalo.

Imperturbável, o executivo espera anunciar seu ministério na manhã de hoje, em Paris. As novidades serão a mistura de caciques do Partido Socialista (PS) com jovens talentos, uma forma de renovar a agremiação, além da paridade entre homens e mulheres, que terão mais ou menos o mesmo número de ministérios.

O gabinete formado por Ayrault deve também ter a participação de líderes do movimento Europe Ecologie-Partido Verde, mas não da extrema esquerda.

Com 62 anos, Ayrault começou sua militância na esquerda católica. Seu primeiro emprego foi de professor de alemão.

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