Hollande assume hoje presidência e viaja para negociar pacto com Merkel

François Hollande assume a presidência, encerrando os cinco anos de governo de Nicolas Sarkozy. Primeiro socialista a chegar ao poder em 17 anos, ele comandará um poderoso arsenal nuclear e a quinta maior economia do mundo. Seu primeiro compromisso será um encontro com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para buscar uma saída para a crise financeira da União Europeia.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2012 | 03h04

A cerimônia de transmissão do cargo começa por volta das 10 horas (5 horas no horário de Brasília), no Palácio do Eliseu, em Paris. Seguindo a tradição, Hollande será recebido por Sarkozy no pátio interno da residência presidencial. Ambos terão uma reunião privada de cerca de 20 minutos, tempo durante o qual o novo presidente receberá os códigos nucleares e os segredos de Estado mais urgentes a serem tratados.

Acompanhado pelo chefe do Estado-Maior, Hollande será levado ao bunker sob o palácio, o Posto de Comando Jupiter, onde registrará seus dados biométricos, necessários para acionar o arsenal atômico.

A seguir, ele acompanhará Sarkozy até o veículo que o levará do Palácio do Eliseu para a cerimônia de posse, na qual o presidente do Conselho Constitucional lhe entregará o colar de Grão-Mestre da Ordem da Legião de Honra, cuja simbologia é semelhante à da faixa presidencial no Brasil. Às 10h45, já como presidente, Hollande fará seu discurso de posse.

Viagem a Berlim. Encerradas as solenidades, começa o roteiro escolhido pelo presidente. Hollande decidiu subir a Avenida Champs-Élysées em automóvel até o Arco do Triunfo, onde depositará flores no Túmulo do Soldado Desconhecido. De volta ao Palácio do Eliseu, ele almoçará com líderes políticos e, à tarde, fará uma série de visitas, entre elas ao prefeito de Paris, Bertrand Delanoë.

Encerradas as cerimônias, Hollande entrará, enfim, nos problemas da presidência da França. Em avião oficial, ele partirá para Berlim, sua primeira visita como chefe de Estado, onde encontrará Angela Merkel. O objetivo da viagem é, ao mesmo tempo, demonstrar a solidez da relação franco-alemã, que impulsiona a União Europeia, e debater a crise financeira dos países do bloco.

Na pauta do encontro está uma das promessas de campanha de Hollande: a renegociação do pacto de estabilidade, pacote de medidas que garante a responsabilidade fiscal e a política de austeridade.

Hollande quer incluir no texto o compromisso de que um outro documento, um pacto de crescimento, seja assinado nas próximas semanas, contendo medidas de estímulo à economia europeia.

Ontem, em rápida entrevista à rede de TV pública France 2, Hollande antecipou sua intenção. "Será uma tomada de contato, uma forma de nos conhecer e uma oportunidade de dizer francamente o que pensamos, não um do outro, mas sobre o futuro da Europa", disse. "França e Alemanha devem trabalhar juntas. No entanto, não pensamos sobre todos os temas da mesma forma. Nós diremos isso, para encontrarmos, em seguida, os melhores compromissos."

Merkel também deu a entender que as discussões serão difíceis. "O trabalho que fazemos na Europa não deve ser mexido", afirmou a chanceler ontem, comentando o impacto da derrota eleitoral de seu partido na Renânia do Norte-Vestfália.

Primeiro-ministro. Hollande volta de Berlim ainda na noite de hoje. Amanhã, ele anuncia seu gabinete, com destaque para o primeiro-ministro.

O nome mais forte para o cargo é o do deputado e prefeito de Nantes, Jean-Marc Ayrault, aliado histórico do novo presidente socialista.

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