Hollande diz estar aberto a negociar proposta britânica para reformar UE

Encontro. Presidente francês recebe em Paris primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, e afirma que tratados do bloco não são negociáveis, mas mudanças podem ser feitas em pontos específicos; Londres quer plebiscito sobre permanência já em 2016

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2015 | 02h06

A União Europeia (UE) deve analisar as propostas de reforma a serem feitas pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron. A concessão foi feita ontem, em Paris, pelo presidente da França, François Hollande, durante encontro bilateral realizado no Palácio do Eliseu. Até então, os governos francês e alemão descartavam toda e qualquer hipótese de reforma das instituições e tratados sobre a integração.

A opinião mudou diante do risco de uma "Brexit" - a saída britânica do bloco de 28 países - e negociações podem ser abertas. O tema foi o mais importante da primeira visita oficial de Cameron a Paris após sua reeleição, no dia 7. O britânico iniciou pela capital francesa uma turnê que incluirá ainda Varsóvia e Berlim, onde se encontrará com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Cameron vem explicando aos líderes o que deseja em seu projeto de reforma da UE, com o qual pretende obter a devolução de responsabilidades cedidas a Bruxelas ao longo de 50 anos de integração, além de esclarecer as circunstâncias do referendo que pretende realizar em 2016 ou 2017 sobre a permanência no bloco.

Ao término do encontro bilateral de ontem, os dois líderes fizeram uma breve declaração. Hollande manteve a disposição firmada com Merkel de, por princípio, não aceitar a renegociação dos tratados, mas demonstrou disposição para ouvir as reivindicações e chegar a um acordo. "Cameron apresentará suas propostas, nós as discutiremos e veremos como podemos avançar para que o povo britânico possa ser consultado sobre uma base que lhe permita escolher o que melhor lhe corresponde", afirmou.

Entre as reformas que Cameron deseja, estão a possibilidade de barrar a concessão de benefícios sociais a trabalhadores estrangeiros, mesmo oriundos da UE, a criação de uma cláusula de não participação em caso de novas medidas de mais integração no bloco e a possibilidade de parlamentos nacionais formarem "coalizões" para elaborar propostas de reformas institucionais em Bruxelas.

Cameron tomou o cuidado de não condicionar seu apoio à permanência da Grã-Bretanha na UE à realização de reformas nos tratados. "O que importa é que a UE e seus 28 membros sejam suficientemente flexíveis e criativos para responder a essas questões", disse. "Minha prioridade é reformar a UE para torná-la mais competitiva e responder às inquietudes dos britânicos quanto à nossa participação. O status atual não é mais suficiente, mudanças podem ser feitas para beneficiar não apenas a Grã-Bretanha, mas o restante da Europa."

Farpas. Apesar da diplomacia dos chefes de Estado, à tarde, o chanceler francês, Laurent Fabius, chamou a proposta britânica de um plebiscito sobre a UE de "perigosa". Em Londres, Philip Hammond, chanceler britânico, afirmou que a população votará "não" à permanência se a Europa não aceitar um "pacote substancial de reformas".

O diplomata disse ainda que as negociações devem prosseguir até o final do inverno no Hemisfério Norte - até março de 2016 - para que o plebiscito possa ser realizado no final do verão ou no início do outono do mesmo ano, ou seja, entre setembro e outubro de 2016.

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