Hollande lidera após fim de campanha na França

Segundo pesquisas, candidatura do presidente Sarkozy cresceu nos últimos dias, mas não deve evitar que os socialistas voltem ao poder 17 anos depois

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2012 | 03h02

A campanha presidencial francesa terminou ontem com a liderança do socialista François Hollande. Um dia após perder a disputa pelo apoio do candidato centrista, François Bayrou, o presidente Nicolas Sarkozy espera uma virada, considerada improvável, para evitar que o Partido Socialista volte ao poder após 17 anos.

O último dia da campanha foi realizado ainda sob o impacto da decisão de Bayrou, líder do Movimento Democrático, que abriu seu voto em favor de Hollande na quinta-feira. Desde então, o socialista tem se apresentado como um candidato que vai além do voto da esquerda e a equipe de Sarkozy tenta desmoralizar a decisão do centrista, que teve 9% dos votos no primeiro turno.

"Vocês terão domingo à noite uma grande surpresa", afirmou Sarkozy à rádio Europe 1, confiante no que chamou de um "sobressalto" nas eleições no fim de semana. "Cada voto conta. Vocês não imaginam o quanto a decisão será no fio da navalha", disse o presidente.

Sarkozy mais uma vez protestou contra o que chama de "torrente de injúrias e calúnias" da imprensa francesa. Em torno do presidente, personalidades como o primeiro-ministro François Fillon atacaram Bayrou e o que classificaram de um "erro de avaliação".

Além de apostar na virada em 48 horas, Sarkozy também voltou a insistir em sua estratégia de assustar o eleitorado de Hollande, associando-o a José Luis Rodriguez Zapatero, ex-primeiro-ministro socialista da Espanha, a quem aponta como o culpado pela crise no país. "Observem a Espanha: vocês querem a mesma situação? Ela não fez as reformas que deveria ter feito."

Visivelmente satisfeito pelo apoio pessoal de Bayrou, o socialista fez campanha ontem em Hombourg-Haut, um dos maiores enclaves do partido de extrema direita Frente Nacional, pedindo mobilização ao eleitorado no domingo.

"Represento aqui a esquerda, sem dúvida, mas já represento mais do que a esquerda", afirmou, em clara alusão a Bayrou. "Represento todos os republicanos, os humanistas, aqueles que são apegados a valores e princípios."

Embora venha tentando se aproximar dos eleitores de centro, Hollande também enviou recado ao eleitorado extremista de Marine Le Pen, que conquistou 17,9% dos votos no primeiro turno. "Eu quero dizer àqueles que não votaram em mim que eles são bem-vindos para recuperar nosso país", afirmou Hollande, reiterando seus apelos por uma união nacional contra a "política de enfrentamento" de Sarkozy. "Não precisamos rejeitar aqueles que não fazem a mesma escolha que nós. Precisaremos de reconciliação, de recuperação, de união."

Pesquisas. Nenhuma sondagem divulgada pelos oito maiores institutos de pesquisas de opinião da França deixa dúvidas: Hollande é o favorito. As previsões variam. Da vitória mais folgada, por 54% a 46%, até a mais apertada, por 52% a 48% - esta última revelada ontem pelo instituto Ifop.

Se observado o histórico das eleições presidenciais desde a instituição das eleições diretas, em 1965, os prognósticos indicam que Hollande quebrará a sequência de presidentes de direita, recolocando os socialistas no poder, que não ocupam desde a presidência de François Mitterrand.

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