Hollande mudará governo após derrota nas urnas

Derrotado nas eleições municipais da França, que se encerram hoje, o presidente francês François Hollande e o Partido Socialista (PS) devem anunciar no início da semana o primeiro grande remanejamento no governo. As mudanças devem incluir a demissão do primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, no posto desde maio de 2012, que será substituído pelo ministro do Interior, Manuel Valls.

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2014 | 02h07

As alterações profundas a serem feitas um ano e 11 meses após a posse indicam a gravidade dos resultados do primeiro turno das eleições municipais na semana passada, que devem se repetir hoje, quando ocorre o segundo turno. A única chance de o PS, maior partido da base aliada, evitar um desastre completo é confirmar o favoritismo em Paris e eleger a socialista Anne Hidalgo, atual vice-prefeita, para substituir o também socialista Bertrand Delanoe.

O progressismo da capital francesa contrasta com o conservadorismo do interior. Grandes cidades como Estrasburgo e Toulouse, nas mãos do PS, podem passar à direita. Em municípios médios, como Reims, Saint-Etienne e Metz, há risco de derrotas históricas. A grande questão é saber se o PS perderá as 30 cidades com mais de 30 mil habitantes conquistadas em 2008.

Soma-se à perspectiva de dificuldades nas urnas a ascensão da Frente Nacional, maior grupo de extrema direita do país. Além da vitória emblemática em Hénin-Beaumont no primeiro turno, o partido liderado por Marine Le Pen participa de eleições em 329 cidades nas quais passou ao segundo turno. Há perspectiva de que sua bancada de vereadores aumente dos 60 eleitos em 2008 para mais de mil. O incremento, porém, é localizado e não passa de 9% do total nacional de votos.

A situação ruim do PS é reconhecida por líderes socialistas. "É preciso saber ouvir o silêncio", disse Claude Bartolone, presidente da Assembleia Nacional, após os resultados do primeiro turno. Na quarta-feira, Hollande orientou sua porta-voz, Najat Vallaud-Belkacem, a confirmar que as transformações virão nos primeiros dias de abril. "O governo deverá tirar uma lição do escrutínio municipal: a de trabalhar para a recuperação do país com mais rapidez, mais força, mais coerência e justiça social", disse.

Para Yves-Maris Cann, analista do instituto de pesquisas CSA, o número recorde de desemprego não ajuda Hollande. "É um lembrete da ausência de resultados do governo nas frentes econômica e social", explica. Até pela crise, diz o cientista político Bruno Cautrès, especialista do Centro de Pesquisa Política (Cevipof), de Paris, Hollande tem poucas alternativas. "Ele está obrigado a reagir e enviar um sinal forte ao final do segundo turno. Mudar alguns ministérios pode não ser suficiente." / COM AFP

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