Etienne Laurent/EFE
Etienne Laurent/EFE

Hollande realiza reuniões de emergência com líderes políticos franceses após Brexit

Presidente da França recebeu lideranças e negou pedido da ultradireitista Marine Le Pen de convocar referendo sobre permanência na União Europeia, como o realizado no Reino Unido

O Estado de S. Paulo

25 Junho 2016 | 13h26

PARIS - O presidente da França, Francois Hollande, organizou neste sábado, 25, reuniões de emergência com líderes de partidos políticos do seu país para discutir a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Ele recebeu tanto representantes de seu próprio partido, o Partido Socialista, como do partido oposicionista conservador Os Republicanos, do qual faz parte o ex-presidente Nicolas Sarkozy; da Frente Nacional, de extrema direita; do Partido Verde e de outros grupos de extrema esquerda e centro.

Mais cedo, logo após encontro em Paris com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, Hollande prometeu manter as relações de seu país com o governo britânico, em especial no que diz respeito ao fluxo de migrantes entre os territórios francês e britânico e à cooperação militar e econômica. O presidente afirmou ainda que a saída do Reino Unido da UE traz preocupações "para todo o planeta", e defendeu uma separação organizada. "Todo o planeta está se questionando: o que vai acontecer?", declarou o presidente francês.

A líder francesa de extrema direita Marine Le Pen se reuniu com Hollande no Palácio do Eliseu e propôs a realização de um referendo sobre o "frexit", a saída francesa do bloco europeu, mas o presidente negou o pedido. "A visão de União Europeia do presidente hoje é a mesma de quarta-feira (um dia antes do referendo no Reino Unido)", declarou Le Pen, lamentando a negativa de Hollande. 

Mesmo com a decisão da administração de Hollande, Le Pen, popular em pesquisas de opinião recentes, pretende substituir Hollande na eleição presidencial de 2017 e pode levar a questão adiante. A França é um dos países fundadores da União Europeia, mas, em 2005, 55% dos franceses rejeitaram uma Constituição do bloco europeu que teria fortalecido a união na região. Boa parte dos franceses alimenta a mesma frustração com a estagnação econômica e a onda migratória recente no continente, que conduziram os britânicos a votar pela saída da UE. 

Crise. O ex-presidente Sarkozy afirmou a Hollande que a UE passa por uma crise e pediu que a França defenda um novo tratado europeu. "Um novo tratado é necessário para que o conjunto dos povos da Europa compreenda que foi ouvido", declarou Sarkozy após a reunião, na qual criticou o atual funcionamento do bloco europeu.

Para justificar os pedidos, Sarkozy citou a crise migratória. "Não há mais Schengen, não há mais garantia nas fronteiras e a zona do euro fundiona muito mal". O ex-presidente acredita que, agora, a França deve ter um papel de liderança na Europa e "propor aos alemães uma iniciativa comum para sair da situação que angustia milhões de europeus em todo o continente". /AP e EFE

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