Hollande reconhece domínio 'brutal' sobre a Argélia

O presidente da França, François Hollande, reconheceu nesta quinta-feira a natureza "injusta e "brutal" da ocupação francesa da Argélia por 132 anos, mas não chegou a pedir desculpas, como exigiam muitos argelinos. No segundo dia de sua visita de Estado ao país do norte da África, Hollande declarou às duas casas do Parlamento que "eu reconheço o sofrimento que o sistema colonial infligiu" ao povo argelino.

AE, Agência Estado

20 de dezembro de 2012 | 12h33

Ele reconheceu especificamente o massacre colocado em prática pelos franceses durante os sete anos de guerra que levaram à independência da Argélia, em 1962. A admissão significa uma profunda mudança na comparação com o antecessor de Hollande que, se não chegou a defender as ações da França na Argélia, permaneceu calado sobre a questão.

A visita do presidente socialista ocorre no período em que a Argélia celebra 50 anos de independência da França, intervalo no qual as relações entre os dois países foram marcada por fortes tensões.

Holande disse, no início de sua visita, que ele e o presidente argelino Abdelaziz Bouteflika estão iniciando "uma nova era" de parcerias estratégicas entre iguais.

Um grande número de argelinos e alguns partidos políticos têm buscado um pedido de desculpas da França pelas irregularidades cometidas contra a população sob o domínio colonial e pela brutalidade durante a guerra. Porém, Hollande disse durante a coletiva de imprensa na quarta-feira que não fará pedidos de desculpa.

"A história, mesmo quando é trágica, mesmo quando é dolorosa para nossos dois países, precisa ser contada", disse Hollande aos legisladores nesta quinta-feira. "Por 132 anos, a Argélia foi submetida a um sistema injusto e brutal" de colonização. "Eu reconheço o sofrimento que a colonização infligiu ao povo argelino", acrescentou ele. As informações são da Associated Press.

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