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Joel Saget/AFP
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Hollande se reúne com Putin para discutir coalizão contra  EI

Segundo o embaixador da Rússia em Paris, Alexander Orlov, o Kremlin estuda se juntar à operação militar internacional liderada por Washington mesmo que tenha de cooperar com o governo da Turquia

Andrei Netto , CORRESPONDENTE / PARIS

25 de novembro de 2015 | 02h00

PARIS -  Dois dias depois de encontrar-se com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, o presidente da França, François Hollande, se reúne hoje em Moscou com o russo, Vladimir Putin, em busca de um acordo para a formação de uma única coalizão contra o grupo terrorista Estado Islâmico.

Segundo o embaixador da Rússia em Paris, Alexander Orlov, o Kremlin estuda se juntar à operação militar internacional liderada por Washington mesmo que tenha de cooperar com o governo da Turquia, com o qual tem relações estremecidas.

A reunião bilateral é vista como decisiva em Paris no momento em que a França está presa entre as reticências mútuas de Obama e Putin. Na segunda-feira, em Washington, o presidente americano afirmou que não se oporia à participação da Rússia nas operações. A condição seria que o Kremlin concordasse em concentrar seus bombardeios na Síria contra as posições do Estado Islâmico, preservando os grupos apoiados pelas potências ocidentais que se opõem ao regime de Bashar Assad, aliado russo no Oriente Médio. Essa exigência será discutida por Hollande com Putin.

Ontem, o embaixador Alexander Orlov descartou a hipótese de que incidente envolvendo um avião F-16 da Turquia, que na terça-feira derrubou um caça SU-24 da Força Aérea da Rússia que teria invadido seu espaço aéreo, vá inviabilizar a formação de uma aliança contra o grupo terrorista. 

“Uma coalizão contra Daesh ainda é possível”, garantiu o embaixador, usando a sigla árabe com que a organização é conhecida na Europa. Segundo Orlov, a planificação de bombardeios é uma possibilidade concreta. mas até mesmo a reunião das forças armadas de EUA, França e Rússia e até com a Turquia segue em discussão.

Na terça-feira, Putin classificou a atitude da Turquia de “uma facada nas costas de um governo cúmplice do terrorismo”. Segundo Orlov, a Moscou e Ancara vão retomar os contatos para chegar a um entendimento.

Para o cientista político Philippe Moreau Desfarges, especialista em Rússia do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), conciliar Obama e Putin é uma missão muito difícil, mas necessária, dada a resistência do Estado Islâmico aos bombardeios da coalizão.

“Hollande precisa do maior número possível de aliados, os EUA precisam sair de sua onda de isolacionismo e Putin deseja demonstrar ao mesmo tempo que seu país é forte e integrado à comunidade internacional", disse ao Estado. “O ideal seria organizar uma transição democrática, com uma Síria que preserve suas fronteiras.”

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