NICOLAS TUCAT / AFP
NICOLAS TUCAT / AFP

Hollande tenta se aproximar dos verdes após derrota eleitoral

Contra Sarkozy, socialistas buscam nova coalizão no Parlamento da França para ter chances na eleição presidencial de 2017

Andrei Netto, CORRRESPONDENTE / PARIS

30 Março 2015 | 19h16

PARIS - Um dia depois da dura derrota do presidente da França, François Hollande, nas eleições regionais, o Partido Socialista (PS), o maior da base do governo, convidou o Partido Verde (PV) e outras agremiações de esquerda para refundarem a coalizão no Parlamento. O objetivo é chegar fortalecido às eleições presidenciais de 2017, diante do crescimento da direita liderada por Nicolas Sarkozy. Em contrapartida, os ecologistas pediram um pacote de mudanças no governo.

No domingo, os partidos da base aliada de Hollande foram esmagados nas eleições regionais, perdendo a supremacia para a União por um Movimento Popular (UMP, direita), liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, e pela União de Democratas e Independentes (UDI, de centro). No resultado final, a coalizão entre direita e centro venceu em 66 departamentos, contra 34 conquistados pelo PS e seus aliados. 

Do total, 25 passaram de governos de esquerda para de direita, e apenas um fez o caminho inverso. Com a “maré azul” que varreu o país, o Partido Comunista (PCF), o mais tradicional da França, perdeu ainda mais espaço e quase desapareceu do mapa departamental, obtendo apenas duas vitórias. 

O recuo de partidos de esquerda ligou o sinal de alerta do primeiro-ministro, Manuel Valls, e da direção do PS, que pretende usar a derrota de domingo para reagrupar forças no Parlamento, no momento em que a divisão aparece até entre deputados socialistas. 

Tentando a formação de uma nova coalizão, líderes do PS e do movimento Europe Écologie-PV, reuniram-se em Paris para tentar uma reaproximação. “O diálogo foi retomado”, confirmou Jean-Christophe Cambadelis, na saída do encontro, garantindo que o governo não fará concessões. 

Emmanuelle Cosse, líder dos ecologistas, impôs como condição que Hollande e Valls promovam uma virada à esquerda nos dois anos que restam. “A união se constrói com diálogo, mas também com atos. É preciso um projeto para responder às angústias dos franceses”, disse. “Não se pode não mudar nada quando se perde quatro eleições consecutivas.”

Enquanto Hollande tenta reafirmar sua liderança à esquerda, a direita endureceu as críticas ao atual governo. No domingo, Sarkozy atacou os socialistas, acusando-os de abandonarem o eleitorado. Em tom de campanha, o ex-presidente afirmou que o resultado das eleições departamentais aponta para a derrota dos socialistas em 2017. “A alternância está em marcha e nada a evitará”, disse.

Para analistas políticos franceses, a votação de domingo indica a reedição do duelo histórico entre PS e UMP. A votação obtida pelo partido de extrema direita Frente Nacional (FN), liderado por Marine Le Pen, ficou muito abaixo do esperado. 

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