?Hollywood chavista? amplia sua produção

Estúdio estatal venezuelano investirá US$ 17,8 milhões em filme de Glover

Juan Forero, The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

Guarenas, Venezuela - Com a intenção de promover uma revolução cultural, o governo venezuelano exigiu que as rádios toquem mais música nacional, promoveu a arte impregnada de entusiasmo revolucionário e publicou livros exaltando as transformações do país sob o comando de Hugo Chávez. Agora, contrapondo-se ao que Chávez chama de "imperialismo cultural" americano e aos filmes de Hollywood, o governo está mergulhando na indústria cinematográfica. A Venezuela inaugurou um estúdio de cinema de última geração, com roteiros que veneram a história do país e financiando filmes destinados a resgatar a produção de cinema do país. "Durante muitos anos, tivemos uma produção baixa, com um ou dois filmes por ano", disse Lorena Almarza, diretora dos estúdios estatais, no local conhecido como Villa del Cine. "Então, chegou o governo bolivariano e a cultura tornou-se um direito constitucional, o que não existia antes."Chávez adora um bom filme, particularmente se o tema for político ou trouxer uma mensagem social mais ampla. Ele tem expressado sua admiração pelo filme de Clint Eastwood Sobre Meninos e Lobos e tornou-se amigo do astro de Máquina Mortífera, Danny Glover. A ponto de a Assembléia Nacional da Venezuela aprovar uma verba de US$ 17,8 milhões para bancar o filme de Glover sobre o revolucionário haitiano Toussaint L?Ouverture.O vencedor do Oscar, Sean Penn, protagonista de Sobre Meninos e Lobos, e Kevin Spacey também estiveram com Chávez em Caracas. Numa visita na semana passada, Spacey disse que os estúdios financiados pelo Estado oferecem aos cineastas venezuelanos uma oportunidade de "fazer filmes sobre seu próprio país e sua própria cultura". "Creio que todos os países deveriam fazer isso", comentou Spacey na TV estatal.Muitos dos projetos da Villa del Cine são claramente políticos e sintonizados com a imagem chavista da Venezuela como um democracia avançada combatendo o "imperialismo ianque". Isso tem resultado em documentários sobre a exploração estrangeira da indústria petrolífera e a repressão estatal na década de 70, quando sucessivos governos venezuelanos mantiveram boas relações com Washington. Mas o estúdio inaugurado há um ano em Guarenas, a leste de Caracas, pretende tornar-se conhecido por filmes de longa metragem que conjuguem política com arte. Um deles é sobre um frio e calculista exilado cubano que assassina esquerdistas venezuelanos e explode um avião de passageiros - um filme baseado na vida do espião da CIA, Luis Posada Carriles, que vive em Miami e se diz inocente.

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