Holocausto é tabu em relação de Igreja e judeus

Suposta omissão da Igreja, denunciada por alguns, dificulta laços entre israelenses e católicos

The Guardian, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

Apesar da melhora nas relações entre o Vaticano e Israel nas últimas décadas, o papa Bento XVI tenta driblar um tema delicado em sua passagem por Israel: o papel da Igreja no Holocausto. Ontem, no museu de Yad Vashem, principal memorial israelense à tragédia, o papa fez um discurso emocionado sobre o genocídio. Bento XVI, porém, preferiu não conhecer o acervo do museu, que tem um painel dedicado à suposta conivência do papa Pio XII com o regime de Adolf Hitler.Muitos afirmam que o líder da Igreja durante o Holocausto deliberadamente negou auxílio às vítimas do genocídio judeu. Por causa da suposta omissão, Pio XII ficou conhecido como "o papa de Hitler". Entre os exemplos da suposta conivência, estaria a recusa do pontífice em assinar, em 1942, uma declaração dos Aliados condenando a deportação de judeus de Roma para o campo de concentração de Auschwitz.Mas, segundo a Igreja, o pontífice foi um diplomata habilidoso, capaz de evitar uma tragédia ainda maior em tempos de crise, ao manter contato com líderes do Eixo. Historiadores solicitam acesso aos arquivos do Vaticano - pedido até agora negado por autoridades da Igreja. Bento XVI pediu no ano passado a beatificação de Pio XII, causando furor em Israel. As relações sofreram novo abalo em janeiro, quando o pontífice revogou a excomunhão de bispos, entre eles do britânico Richard Williamson - conhecido por negar o Holocausto. No mesmo mês, Bento XVI autorizou uma oração que pede que judeus "reconheçam Jesus Cristo".O passado do papa é outro motivo de controvérsia. Apesar de não se ter vinculado ideologicamente com o nazismo, Bento XVI integrou a Juventude Hitlerista e a infantaria alemã na 2ª Guerra.APROXIMAÇÃOSob Pio XII, o Vaticano apoiou em 1947 a resolução da ONU que criaria Israel. Em 1965, com Paulo VI, o Concílio Vaticano II deu mais um passo na reconciliação com os judeus, ao condenar explicitamente o antissemitismo.Mas a Igreja só reconheceu Israel em 1993, durante o papado de João Paulo II. Sete anos depois, o pontífice fez a primeira visita papal a Israel e, diante do Muro das Lamentações, chorou.Em 1998, o Vaticano também emitiu um pedido de desculpas por não ter feito mais para impedir o extermínio de judeus durante a 2ª Guerra. João Paulo II visitou Auschwitz ao lado de seu amigo e sobrevivente judeu do campo Jerzy Kluger.IGREJA E ISRAELPio XII - Chamado por alguns de ?o papa de Hitler? - por supostamente ter-se omitido diante do nazismo - apoiou a criação de Israel. Sob protestos israelenses, Bento XVI propôs a beatificação de Pio XIIPaulo VI - Concílio Vaticano II, de 1965, condena todas as formas de antissemitismoJoão Paulo II - Vaticano reconhece e troca embaixadores com Israel em 1993. Em 1998, pontífice visita Auschwitz e, em 2000, é o primeiro papa a realizar missão oficial a IsraelBento XVI - Papa visita o Estado judeu, em meio a polêmicas

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