AFP Photo/John MacDougall
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Alemanha solta suspeito de atentado e EI reivindica autoria

Responsável por atropelamento que deixou 12 mortos em feira de Natal em Berlim ainda está foragido após a Procuradoria libertar jovem paquistanês por falta de provas

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2016 | 16h37
Atualizado 20 Dezembro 2016 | 21h22

BERLIM - O Estado Islâmico (EI) assumiu nesta terça-feira a responsabilidade pelo ataque em Berlim no qual um caminhão invadiu uma feira de Natal, matou 12 pessoas e feriu 50. O governo alemão soltou um paquistanês preso logo o ataque, já que a lei limita detenções a um dia se não houver indícios de culpa. Em outros países europeus, a segurança contra atentados foi reforçada.

O EI tem reivindicado a autoria dos últimos atentados, mas não foi possível confirmar o envolvimento do grupo jihadista nesses ataques. “O executor da operação... em Berlim é um soldado do EI e ele cometeu o ataque em resposta aos apelos para atingir cidadãos de países da coalizão”, disse a agência de notícias Amaq, ligada ao grupo.

A Alemanha não está diretamente envolvida no combate ao EI, mas tem aviões estacionados na Turquia em apoio à coalizão contra os extremistas na Síria e no Iraque. O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maiziére, pediu prudência após a agência assegurar que o EI era o responsável pelo ataque e disse que os investigadores analisam todos os indícios.

O responsável pelo atropelamento fugiu. O único suspeito detido foi solto nesta terça-feira após a Procuradoria Federal da Alemanha informar que não contava com provas incriminatórias suficientes. O verdadeiro motorista da Scania, um polonês, foi encontrado morto no banco do passageiro do caminhão, aparentemente com um tiro. A hipótese mais forte é que o agressor tenha roubado o veículo.

O homem detido, um paquistanês de 23 anos que residia no albergue de refugiados instalado em um dos hangares do antigo aeroporto de Tempelhof, deu informações durante os interrogatórios, mas negou sua participação no atentado.

Testemunhas viram como o motorista do caminhão que atropelou os visitantes do mercado de rua fugiu do local, mas, em sua perseguição, houve lacunas, destacou a Procuradoria. As provas e análises para comprovar se o detido esteve na cabine do caminhão não deram resultado, acrescentou o órgão judicial para justificar sua libertação.

O paquistanês, que tem passagem na polícia por crimes menores, mas não consta em nenhuma base de dados de supostos terroristas, foi detido a cerca de dois quilômetros do local do atentado, junto ao Obelisco da Vitória, no parque central de Tiergarten. O ministro do Interior explicou que o suspeito entrou na Alemanha em 31 de dezembro de 2015, após supostamente cruzar a rota dos Bálcãs, e chegou a Berlim em fevereiro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, questionada por sua política de acolhimento de refugiados, tinha admitido que seria “especialmente repugnante” se fosse confirmado que o autor do atentado no qual morreram 12 pessoas era alguém que tinha solicitado asilo na Alemanha. 

“São os mortos de Merkel!”, disse no Twitter um dos responsáveis do partido de direita Alternativa para Alemanha (AfD), Marcus Pretzell. “A Alemanha já não está segura diante do terrorismo do islamismo radical”, acrescentou o líder da AfD, Frauke Petry, criticando a decisão da chanceler de acolher na Alemanha cerca de 900 mil refugiados em 2015 e mais 300 mil este ano. 

“As terríveis notícias sobre Berlim não são uma surpresa”, disse Nigel Farage, ex-líder do britânico Partido da Independência, pró-Brexit, no Twitter. “Eventos como esse serão o legado de Merkel”, acrescentou.

A chanceler foi nesta terça-feira à tarde com alguns ministros ao local do atropelamento para guardar um minuto de silêncio e depois participou de uma cerimônia numa igreja próxima.

Segurança. Diversos países europeus anunciaram o reforço de suas medidas de segurança em locais públicos e mercados natalinos após o ataque em Berlim, dias antes da festa cristã. O presidente francês, François Hollande, advertiu ontem que a França está sob “um alto nível de ameaça” terrorista. A concorrida feira parisiense integra uma lista de potenciais alvos de uma rede terrorista que planejava atacar Paris em 1.º de dezembro. Seis integrantes dessa rede foram presas no final de novembro.

A França tem sido alvo nos últimos dois anos de uma série de atentados terroristas que deixou 238 mortos. No Reino Unido, onde seis pessoas foram presas sob suspeita de preparar um ataque, as autoridades mantiveram o alerta “severo”, o segundo nível mais alto. A Itália também ampliou suas medidas de segurança. / AFP, EFE e REUTERS

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