AP Photo/Max Becherer
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Suspeito de matar policiais nos EUA é morto; dois são detidos

Em Baton Rouge, Louisiana, ao menos três policiais foram mortos; em Milwaukee, Wisconsin, homem ficou gravemente ferido. Ataques ocorreram após mortes de negros em dois Estados do país

Associated Press, EFE e Reuters

17 de julho de 2016 | 13h02

Três policiais foram mortos a tiros e diversos outros ficaram feridos neste domingo, 17, em Baton Rouge, no Estado de Louisiana. De acordo com Kip Holden, prefeito da cidade, eles respondiam a uma ocorrência quando sofreram uma emboscada por um atirador. 

 Don Coppola, chefe de polícia de Baton Rouge, disse que o atirador foi morto. Ele foi identificado como Gavin Long, negro e veterano da guerra no Iraque. Ele estava todo de preto e usava uma máscara. Segundo Coppola, às 9 horas (11 horas em Brasília), a polícia recebeu uma chamada sobre um “suspeito” que caminhava na Airline Highway, via expressa que corta a cidade, com um fuzil de assalto na mão. 

Quando os agentes chegaram ao local, em uma loja de conveniência, a menos de dois quilômetros de uma delegacia de polícia, os tiros começaram. Testemunhas relataram que ouviram pelo menos 30 disparos de fuzil e de pistola. O ataque ocorreu em uma área violenta da cidade onde atuam traficantes de droga. 

“Não houve conversa, apenas tiros”, disse o capitão L’Jean McKneely. “Já isolamos a região e estamos investigando junto com a comunidade local para ver se alguém notou algum comportamento suspeito ou há cúmplices.” Segundo McKneely, três agentes ficaram feridos, um em estado grave. 

A polícia de Baton Rouge, que no início acreditava na hipótese de vários atiradores, confirmou que apenas um realizou a ação. Após abater o homem mascarado, os policiais usaram um robô para descobrir se havia algum explosivo no corpo. 

Reação. O presidente Barack Obama lamentou mais um caso de violência contra policiais. “Pela segunda vez em duas semanas, policiais que colocam suas vidas em risco todos os dias, foram covardemente assassinados ao realizar o seu trabalho”, afirmou o presidente. “Estes ataques a servidores públicos, ao Estado de direito e à sociedade civilizada têm de acabar.”

O democrata John Bel Edwards, governador de Louisiana, também condenou os assassinatos. “Este foi um ataque inominável e injustificável contra todos nós em um tempo em que precisamos de unidade e de cicatrizar nossas feridas”, disse o governador, que visitou os policiais feridos no hospital em Baton Rouge.

O provável candidato do Partido Republicano à presidência, Donald Trump, culpou a “falta de liderança” pelas mortes de ontem. “Quantos policiais terão de morrer em razão da falta de liderança em nosso país”, disse Trump pelo Twitter. “Exigimos justiça e ordem pública.”

Kip Holden, o prefeito de Baton Rouge, pediu calma à população no canal de TV local WAFB9, temendo um novo aumento da tensão na cidade. “Não deixemos que ninguém separe esta comunidade com ações absurdas de violência.” 

Um vídeo exibido ontem pela mesma emissora de TV mostra os policiais chegando ao local do tiroteio. No começo, é ouvida uma sucessão de tiros com alguns segundos de intervalos. Em seguida, um breve e intenso tiroteio.

Veda Sterling, tia de Alton, negro morto por policiais brancos no dia 5 em Baton Rouge, disse que custou a acreditar quando viu a notícia do tiroteio pela TV. “Isto é uma loucura”, afirmou. “Imagino que agora as coisas ficarão 100 vezes pior.” Segundo ela, o ataque de ontem não tem relação com a morte do sobrinho. “Não foi uma retaliação. Não havia nenhum protesto ocorrendo no local.”

Tensão. O ataque deste domingo ocorre no momento em que os EUA passam por uma onda de tensão racial desencadeada pelo assassinato de dois negros por policiais brancos: além de Alton Sterling, de 37 anos, Philando Castile foi assassinado em uma ocorrência de trânsito na cidade de St. Anthony, no Estado de Minnesota.

As duas mortes provocaram protestos em várias cidades americanas. Durante uma dessas manifestações, no dia 8, em Dallas, o negro Micah Xavier Johnson, um franco-atirador, disparou contra a multidão e matou cinco policiais em Dallas. 

 

 

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