Homem-bomba e atiradores matam 52 em ataques contra ministério no Iêmen

Um homem-bomba e atiradores vestidos com uniformes do Exército atacaram nesta quinta-feira o Ministério da Defesa do Iêmen, matando 52 pessoas, incluindo pessoal médico estrangeiro, disseram fontes do governo, no pior ataque militante individual em 18 meses no país.

Reuters

05 de dezembro de 2013 | 19h56

Um militante dirigiu um carro cheio de explosivos até a porta do complexo ministerial e, em seguida, homens armados em outro veículo aceleraram e abriram fogo contra soldados, médicos e enfermeiros que trabalhavam em um hospital no interior do prédio, disseram testemunhas à Reuters.

Os ataques coordenados feriram 167 pessoas, disse o Comitê de Segurança do governo iemenita. Dois médicos alemães e dois vietnamitas, além de uma enfermeira indiana e duas filipinas, morreram, acrescentou.

Ninguém reivindicou imediatamente a responsabilidade pelos ataques, mas um especialista iemenita em assuntos relacionados aos militantes islâmicos disseram que o atentado tinha as marcas da Al Qaeda.

O Iêmen tem lutado com militantes ligados à Al Qaeda que atacaram repetidamente funcionários e instalações do governo ao longo dos últimos dois anos.

A ameaça de segurança é uma preocupação internacional. O país aliado dos EUA compartilha uma longa fronteira com a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, e o braço da Al Qaeda baseado na região tem planejado ataques contra alvos ocidentais.

Funcionários do ministério estavam chegando para trabalhar quando o homem-bomba detonou seus explosivos, afirmaram duas fontes dentro do ministério.

A enorme explosão sacudiu o bairro movimentado de Bab al- Yemen, na orla do centro velho da capital Sanaa, um labirinto de bancas de mercado e casas com torres de pedra decoradas com vitrais e ornamentadas em gesso.

"A explosão foi muito violenta, todo o lugar tremeu por causa disso", disse um funcionário que trabalha na área, onde também está localizado o banco central do país.

Os médicos e um funcionário do Ministério da Defesa disseram que os atiradores levaram um médico ocidental e uma enfermeira filipina para o pátio externo do hospital e atiraram contra eles na frente do pessoal local.

Os agressores também mataram um dos parentes do presidente do Iêmen, Abd-Rabbu Mansour Hadi, que estava visitando um paciente no hospital, afirmou o Ministério da Defesa em seu site.

As forças de segurança retomaram o complexo ministerial depois de matarem a maioria dos militantes, acrescentou o ministério.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, condenaram os ataques.

A violência é comum no Iêmen, onde um governo interino está lutando contra os separatistas do sul e rebeldes Houthi do norte, além de militantes ligados à Al Qaeda, que buscam derrubar o governo e impor a sua versão da lei islâmica.

O país também enfrenta problemas econômicos graves herdados do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que foi forçado a sair do cargo por uma revolta popular em 2011.

(Por Mohammed Ghobari, com reportagem adicional de Michelle Martin, em Berlim)

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